sexta-feira, 16 de setembro de 2016

IMPACTO DA PROPAGANDA NEGATIVA NAS ELEIÇÕES E O EFEITO BUMERANGUE.

As campanhas eleitorais são fundamentais para a democracia e momento de analise da relação entre os cidadãos e a política. É a hora em que os eleitores avaliam os candidatos e seus planos de governo para selecionar a opção que consideram melhor à luz de seus interesses individuais ou coletivos. Nas disputas eleitorais, os candidatos têm a alternativa de escolher entre dois cursos de ação: enaltecer as suas próprias qualidades ou ressaltar as características negativas de seus adversários. Toda disputa será um equilíbrio entre essas duas estratégias, pois cada uma delas busca resultados distintos.
Com o objetivo de entender as estratégias de ataque dos candidatos a seus adversários, esse texto fala basicamente sobre o fenômeno conhecido como campanha negativa, campanha de ataque e um estudo americano que aponta que “quem bate perde” ou seja o “efeito bumerangue”
A expressão efeito bumerangue" se tornou uma espécie de mantra do marketing político, ao considerar que a campanha negativa prejudica o candidato que ataca.
Uma das máximas do marketing político brasileiro, citado por muitos especialistas na área é de que “quem bate perde a eleição”. Essa idéia, atribuída ao marqueteiro Duda Mendonça , representa na literatura academia o conceito do “efeito bumerangue”, onde o ataque pode se voltar contra seu autor e ao invés de tirar votos do adversário acaba tirando votos do candidato que ataca, porque demonstra falta de comprometimento com a ética e falta de respeito aos seus adversários, numa clara apelação para o vale tudo do jogo do poder.

"Propaganda negativa é qualquer crítica direcionada por um candidato ou apoiadores aos seus adversários". Essa definição inclui, necessariamente, a personalidade do candidato, suas crenças políticas, seu histórico como político e governante, o partido ao qual é filiado, seus associados, familiares e amigos, grupos de apoio e equipe de governo.
Assim sendo, o principal aspecto do Efeito bumerangue é apontar que o candidato utiliza seu tempo com o intuito de destacar os aspectos negativos do seu oponente, ao invés de cuidar da valorização dos seus próprios atributos políticos ou pessoais, isso quando não usa de apoiadores de campanha para executar o serviço sujo, o que deixa ainda mais claro suas intenções escusas.
As evidências, portanto, apontam para a confirmação da hipótese de que quem opta pela dita “campanha suja” ou “campanha do ataque” estão em larga desvantagem em relação aos seus atacados, a análise de quem sofre os ataques demonstra que os líderes nas pesquisas são os alvos prediletos dos adversários
Os líderes são as vítimas preferidas dos segundos colocados nas pesquisas de intenção de voto, bem como seus apoiadores, e peças chave na condução da campanha também podem sofrer ataques pessoais, no intuito dos que se encontram em desvantagem de desestabilizarem as estruturas da campanha eleitoral.
Do mesmo modo, 98% da propaganda negativa feita pelos adversários tem como objetivo afetar a imagem do primeiro colocado:
Finalmente, vimos que a literatura especializada considera como indicador de "boa campanha" as disputas que debatem questões políticas e não os atributos pessoais dos candidatos (Kaid e Johnston, 2002; Geer, 2006).

Fonte de pesquisa: Impacto da Propaganda negativa nas eleições brasileiras -  Felipe Borba, via etceteraomnia

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

POUCOS QUEREM SER GESTORES ESCOLARES

Quem quer ser diretor de escola? Em certos estados brasileiros, a resposta a essa pergunta é desanimadora: a média registrada é de um ou dois candidatos por pleito (veja gráfico ao lado). Indo mais a fundo nos dados da pesquisa da Fundação Victor Civita, nota-se que em muitas unidades não há ninguém na disputa, como ocorreu em 22% das escolas baianas e em 14% das piauienses nas últimas eleições. No município de Martinópole no Ceará, não houve disputa. Mesmo no Distrito Federal, onde a média é de três candidatos por votação, 10% das escolas também tiveram procura zero.

A conclusão do estudo não poderia ser outra: o cargo não é atrativo. A causa está no elevado ônus, com uma recompensa considerada inadequada. Os diretores reclamam que a gratificação financeira é pequena diante da dedicação que o trabalho exige e do nível de estresse que provoca. Quem está na função é cobrado pela solução de diversos problemas - e nem sempre tem formação e autonomia para superá-los. Nas redes que promovem a eleição para diretor, a chance de enfrentar um processo eleitoral desgastante é outro fator que afugenta os candidatos.

Por outro lado, a pesquisa detectou que em três das 16 unidades federativas que promovem eleições para diretor há uma média boa de quatro candidatos por vaga. São elas: Acre, Mato Grosso do Sul e Pará. Os motivos nem sempre são ligados à estrutura para exercer a função (leia depoimentos na próxima página). Um é o prestígio do cargo: "O trabalho bem feito é reconhecido pela comunidade", analisa Maria Luiza Farias Carvalho, coordenadora da Secretaria de Estado de Educação do Pará.

Especialistas defendem que as Secretarias podem tornar o cargo mais atraente (leia o quadro na próxima página). "Dar autonomia e associá-la a metas claras e aos resultados é essencial", diz a doutora em Educação Gisela Wajskop, diretora do Instituto Singularidades, em São Paulo. Foi no que investiu o Acre. O ex-diretor de gestão da Secretaria de Estado de Educação Jean Mauro de Abreu Morais conta que a lei estadual 1.513, de 2003, contribuiu para o aumento da procura. "O gestor escolhe os coordenadores de ensino e o administrativo de sua equipe."

Com Revista Nova Escola/gestão escolar

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O QUE SABEMOS (E NÃO SABEMOS) SOBRE AS IDEIAS DE MICHEL TEMER PARA A EDUCAÇÃO

No último ano, a situação já era preocupante. O Ministério teve quatro titulares, com o Plano Nacional da Educação (PNE) recém-aprovado e as discussões sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a pleno vapor. Agora, a perspectiva é de mais mudanças. Não muda apenas o comando, também será alterado o escopo da pasta, que volta a ser unificada com o Ministério da Cultura.

Dois documentos já divulgados pelo PMDB dão sinais de qual será a visão do novo governo para a Educação do país. Apresentado em novembro de 2015, Uma Ponte para o Futuro ressalta os encaminhamentos para a economia. A influência para a Educação é a defesa do "orçamento com base zero". Isso significa que o planejamento de gastos públicos se iniciariam sem o comprometimento com uma área ou projeto específico. Desse modo, os investimentos seriam sempre reavaliados de acordo com o que o governo vigente considerar prioritário. "A tendência é gastar somente o que é obrigatório com a Educação. Com a desvinculação, o investimento nessa área pode cair drasticamente", afirma Carlos Roberto Jamil Cury, professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo a Constituição de 1988, 25% da receita de impostos e transferências dos municípios e estados e 18% da União devem ser investidos em Educação. Com essa determinação cumprida, chegamos a 5% do PIB investido na área. Neste ponto, o Plano Nacional de Educação é um avanço, pois prevê um investimento de 10% do PIB até 2024. Porém, é bom deixar claro que as leis falam de recursos de fontes diferentes.

Alguns dias antes de o Senado votar o impeachment, o PMDB divulgou trechos de um novo documento, mais voltado às questões sociais. O documento A Travessia Social tem duas páginas dedicadas à área educacional e destaca sete itens prioritários. Dividimos em grupos temáticos, que são comentados abaixo.

Avaliações externas


Nos três primeiros itens: "Prioridade para o Ensino Fundamental e Médio", "Foco na qualidade do aprendizado em sala de aula" e "Maior presença do Governo Federal no ensino básico" há um olhar direto para a Educação Básica. A eles, se soma "Dar consequência aos processos e resultados de avaliações". Olhando esse último aspecto e sabendo que os estados e municípios são os responsáveis diretos por essas etapas de ensino, há uma indicação de que as avaliações externas sejam utilizadas como parâmetro para a tomada de decisões pelo governo federal.  O documento, contudo, é genérico e não permite saber exatamente o que cada item significa.  Não dá para saber se a maior presença do governo federal se traduz em dinheiro, apoio técnico ou em novas avaliações.

Alguns especialistas, contudo, acham que essa presença federal no ensino básico é complicada, especialmente se as avaliaçõs forem tomadas como único critério de análise de resultado. "O Estado consegue dar recursos, mas não tem uma influência direta em sala de aula", aponta o professor Teodoro Zanardi, do Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). "O Brasil tem uma realidade muito desigual em termos de infraestrutura. Desse modo, é perigoso dizer que o ensino é ou não de qualidade somente com base nas notas de provas externas", completa. As notas são um indicativo da situação presente, mas não contam a história toda.

Bonificação para professores

Os dois itens seguintes falam sobre o docente. O primeiro, "Foco na qualificação e nos incentivos aos professores da Educação Básica", é mais generalista. Mas, o segundo prevê um "Programa de certificação federal dos professores de 1º e 2º grau em todo país e o pagamento de um adicional à remuneração regular, custeado pela União". "A bonificação é muito válida desde que se tenha um padrão minimamente homogêneo. O que a legislação atual diz é que nas escolas onde houver um diagnóstico preciso das deficiências é tarefa prioritária do poder público que essas deficiências sejam sanadas", explica Jamil. Por essa razão, se a meta não for bem desenhada, o bônus faria um investimento inverso. Segundo o professor, o que poderia acontecer é bonificar quem já está melhor, reforçando a desigualdade, além de correr o risco de acirrar competições desnecessárias, quando o espírito colaborativo traria mais benefícios. 

Reforma do Ensino Médio

No último item, "Diversificação do Ensino Médio segundo o interesse dos alunos", o documento toca em um ponto problemático da Educação brasileira. Há tempos se discute o que fazer com essa etapa de ensino, que ainda sofre muito com a evasão. O texto defende a reforma por entender que hoje "não habilita o aluno a coisa alguma, a não ser os exames de ingresso na universidade, embora se saiba que a maioria dos alunos encerra aí sua formação escolar". Existe um consenso diante dessa afirmação. Mas, também há um receio sobre como será feita essa diversificação. "Caso priorizemos um Ensino Técnico é provável que as camadas mais carentes sigam por esse caminho, enquanto os mais abastados continuarão seguindo para a universidade", alerta Jamil, que defende um investimento amplo no Ensino Médio integrado, em que se contemplaria a formação geral, assim como a específica. 

As ausências

Além das ações indicadas, há algumas ausências no documento. A primeira delas é a Base Nacional Comum Curricular, que já prevê mudanças no Ensino Médio. A segunda é o Plano Nacional da Educação (PNE), que contém 20 metas a serem alcançadas até 2024, entre elas a própria Base e o investimento de 10% do PIB em Educação. "A impressão que fica é de um documento que ignora uma trajetória que está sendo concluída em prol de algumas iniciativas pontuais", afirma Teodoro. Além disso, em momento algum fala-se de Ensino Superior. "É importante frisar que essa é a única etapa de ensino de competência direta da União", ressalta Jamil. 

Os dois documentos não representam ainda o plano de governo de Temer e não podem ser avaliados como tal. Estima-se que nos próximos dias se possa ter uma ideia mais clara dos planos do presidente interino e de seu ministro, Mendonça Filho, para a área. Leia mais sobre o novo titular da pasta aqui.

(Crédito: Marcelo Almeida/Agência Brasil).

OS GRUPOS DE WHATSAPP E A ESCOLA

Alunos, professores, pais e gestores precisam refletir sobre o uso das redes sociais a favor do aprendizado e da melhoria das relações

Hoje em dia, é muito difícil alguém ter um telefone celular e não acessar aplicativos como o WhatsApp. Por meio dele, são criados grupos com diversos objetivos, sempre com a intenção de fortalecer a comunicação entre os usuários. Algumas conversas têm finalidades escolares. Pode-se, por exemplo, avisar sobre lições de casa e tirar dúvidas com os colegas. Outras servem apenas para entreter e incluem trocas de vídeos, fotos e piadas. Infelizmente, também há conversas usadas para denegrir, caluniar, fazer fofoca e difamar colegas, professores e gestores.

Muitos alunos que estão nos anos finais do Ensino Fundamental já possuem celulares, e a maioria está inserida em pelo menos um tipo de rede social. Essas interações geram, portanto, implicações para a família e para a escola. Os pais precisam ficar atentos ao conteúdo que circula nos celulares dos filhos, fiscalizar e controlar o uso dos aparelhos. Entretanto, o mais importante é manter sempre um diálogo sobre as questões éticas que envolvem a participação nas redes. O que o jovem deve fazer se receber uma mensagem que expõe uma pessoa? Como agir ao ler um texto com conteúdo preconceituoso? Quais as consequências de participar de uma conversa que envolva cyberbullying?

É essencial lembrar que crianças e jovens aprendem com modelos. Então, os pais têm de se questionar sobre o uso que eles próprios fazem do celular e a qualidade de suas participações em aplicativos como o WhatsApp. Pensando no ambiente escolar, muitos criam grupos de conversa com o objetivo de fortalecer o vínculo entre as famílias e compartilhar informações sobre assuntos pertinentes à vida de crianças que estão na mesma classe. Porém, alguns acabam por trazer prejuízos enormes para os próprios alunos e para a escola. Isso ocorre, por exemplo, quando a interação é usada para queixarem-se sobre a conduta de professores ou estudantes.

Há pais que, diante de um problema, em vez de buscar um canal direto de comunicação com a escola, expõem suas preocupações em mensagens de texto de forma ofensiva e desrespeitosa. Já soube de grupos de familiares que se mobilizaram para pedir a expulsão de alunos ou mesmo o afastamento de docentes. Também não é raro presenciarmos responsáveis que expõem os próprios filhos e outras crianças com imagens ou palavreado inadequado, julgamentos e estigmatizações desnecessárias. Problemas pequenos acabam ganhando uma dimensão maior, o que só dificulta a resolução. Assim, surgem indisposições e até inimizades entre os pais dos alunos.

À escola, cabe orientar as famílias a fazer um uso potente desse recurso tecnológico, por exemplo, compartilhando assuntos de interesse geral (sobre saúde, programação cultural etc.), e lembrá-las de que, quando tiverem questões sobre a vida escolar dos filhos, o melhor canal é a comunicação direta com a gestão. Afinal, alguém já viu um problema delicado ser resolvido pelas redes sociais? Também é interessante promover reflexões com os estudantes sobre o uso consciente dessas ferramentas e utilizá-las em sala de aula de maneira positiva, potencializando a construção de boas relações e o aprendizado.

Fonte: Revista gestão escolar

QUEM DISSE QUE EXPOR O ALUNO É UMA BOA SOLUÇÃO PARA ELE “ENTRAR NA LINHA”?

“É impressionante como esse aluno parece não ter vergonha na cara! Já recebeu todo tipo de advertência e continua com o mesmo comportamento, atrapalhando e fazendo graça na sala!”. Qualquer semelhança com situações que vivenciamos em nossas escolas não é mera coincidência. Casos que parecem sem solução merecem atenção redobrada porque podemos estar falando de sujeitos que tiveram uma ruptura na sua construção moral.
Neste post recente, refletimos sobre os tipos de sanções e suas implicações no processo de desenvolvimento dos alunos e apresentamos as possibilidades mais adequadas para uma Educação voltada para a autonomia moral. Entre elas estava a censura, que pode despertar no aluno o senso de comunidade e de compromisso com o grupo.
Em ambientes pautados pelo exercício do respeito mútuo, além do afeto, há sempre o temor de decair aos olhos do outro. Mas é preciso tomar cuidado porque o receio de decepcionar não pode estar associado a nenhuma prática de humilhação. Por essa razão, achei oportuno aprofundarmos nossas reflexões acerca do uso das censuras como sanção por reciprocidade, destacando aspectos que precisam ser considerados.
O especialista em psicologia moral Yves de La Taille divulgou, em 2002, os resultados de um estudo que desenvolveu para investigar em qual período do desenvolvimento a censurapassa a ser mais penosa do que as sanções expiatórias, que são os castigos que não se relacionam com o ato a ser reparado. O achado da pesquisa, de extrema relevância para o trabalho nas escolas, é que para as crianças pequenas o juízo moral alheio ainda não é fonte de intensa dor psíquica. Isso significa que as censuras não são tão dolorosas quanto os castigos que as privam de algum prazer. Já nas maiores, a dor vem de uma expressão de crítica moral promovida pelo adulto perante os pares, ou seja, a vergonha da exposição. E isso supera as privações materiais mais fortemente sentidas pelos pequenos.
No entanto, o que frequentemente observamos nas escolas, e também nas famílias, é que muitos educadores ainda utilizam, equivocadamente, o constrangimento como método educativo. Mas é preciso saber que expor constantemente as crianças e os adolescentes e, assim, provocar o sentimento de humilhação e rebaixamento, pode levar o sujeito à perda de um importante regulador moral: a vergonha. Dessa maneira, ele passa a ser um “desavergonhado ou sem vergonha”, o que o leva a promover ainda mais delitos e episódios indesejáveis, dentro e fora da sala de aula. Ao ser inferiorizada e rebaixada, a pessoa, mesmo que não tenha uma imagem negativa de si própria, pode vir a assumi-la.
É importante ficar atento porque algumas formas de humilhação são sutis e podem vir disfarçadas de críticas que tentam parecer “objetivas” e bem-intencionadas. Além disso, alguns educadores parecem acreditar que, ao humilhar ou fazer o aluno “passar vergonha”, ele “entrará na linha”. Mas na prática, o pensamento é outro: “Se já me enxergam desse jeito, vou fazer o que eu quero”. Ou seja, ele entende que não tem muito mais o que perder.
Para evitar que isso aconteça, é preciso agir exatamente de maneira contrária à humilhação, auxiliando o estudante a fortalecer o sentimento de dignidade, como um ser moral. Afinal, a moralidade é uma dimensão específica do ser humano e o que, de fato, o diferencia dos outros animais reconhecidos como inteligentes. Ninguém é desprovido de algo positivo que possa ser foco de reconhecimento. No entanto, é importantíssimo levar em consideração que a essência dos elogios ou das críticas recai sobre a adesão e o fortalecimento, ou não,dos valores morais. Se os comentários positivos ou negativos são direcionados a característicasestranhas à moral, como a beleza, a inteligência, a esperteza etc., os valores éticosdesejados, provavelmente, permanecerão ausentes ou periféricos (enfraquecidos) na personalidade da pessoa que estamos ajudando a formar (leia aqui sobre como fazer elogios produtivos). Da mesma maneira, se apesar de morais,as críticas forem frequentes e humilhantes, o resultado será semelhante. Isso porque cada um de nós, na busca natural de uma autoimagem positiva, procura o que acredita ser sua competência e o que seráreconhecido como valor pelo olhar do outro para se fortalecer. Por isso, definitivamente, aqualidade da abordagem do adulto fará a diferença entre a aproximação ou o distanciamento dos valores morais necessários para a convivência social.
Já pensou sobre essas questões? Deixe sua valiosa contribuição para novas reflexões!
Fonte: Revista gestão escolar - Imagem: shutterstock_259696079

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

FOFOCA NUNCA MAIS

"Vem cá, deixa eu contar uma fofoca." Quem nunca fez ou aceitou um convite como esse? Conversas dessa natureza são tão comuns no ambiente profissional que dificilmente se percebe os estragos que causam: afetam o clima, constrangem os envolvidos e impactam negativamente o trabalho. Sendo assim, elaborar estratégias para acabar com os fuxicos não é perda de tempo. Para planejá-las, no entanto, é preciso identificar a origem do problema.

Quando falar mal uns dos outros vira rotina entre professores e funcionários é sinal de que os vínculos não vão nada bem. "A falta de respeito, cooperação e solidariedade deixa o ambiente propício para conversas maldosas. Consegue-se reverter esse cenário quando a escola passa a refletir constantemente sobre esses valores", afirma Ana Aragão, do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Moral da Universidade Estadual de Campinas (Gepem/Unicamp).

Antes de tudo é preciso que os gestores estejam blindados em relação às fofocas. Uma boa medida é avaliar as próprias atitudes em relação à equipe. "Compreender as individualidades e os diferentes tempos que cada um leva para se adaptar ou se enturmar faz com que professores e funcionários se sintam respeitados e deixem de criticar os superiores pelas costas", diz Célia Godoy, consultora de gestão escolar do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de São Paulo.

Tão importante quanto isso é não se deixar influenciar pelas histórias que chegam aos seus ouvidos por meio da "rádio peão" - como é conhecida a fofoca no meio corporativo - nem participar dela levando o assunto adiante ou dando atenção demasiada a quem está disseminando o diz que diz que.

Desrespeito é condição básica para o surgimento de papos mal-intencionados

De modo geral, Ana Aragão sugere que o projeto político-pedagógico (PPP), documento que traz os princípios que norteiam o trabalho da instituição, sirva de base para a discussão em reuniões, grupos de estudos ou seminários que visem discutir o problema. Foi o que ela fez entre 2003 e 2008 na EMEF Padre Francisco Silva, em Campinas, a 98 quilômetros de São Paulo, quando atuou como consultora. Lá, Ana percebeu que os docentes falavam mal uns dos outros e que os problemas de relacionamento entre os membros da equipe gestora rapidamente eram expostos. Ela mesma passou a ser procurada pelos professores que queriam criticar o comportamento de alguém.

Como forma de reverter o cenário, a pesquisadora propôs discussões sobre os valores presentes no PPP. Semanalmente, durante duas horas, as relações interpessoais no trabalho foram o principal assunto em pauta. Todos disseram como poderiam mudar a própria postura, o que esperavam da dos colegas e relacionaram as dificuldades da rotina. Depois de um ano, os educadores se sentiram seguros para explicitar atitudes que lhes desagradavam -- um professor gritando com os alunos, por exemplo -, o que antes certamente seria tratado em pequenos grupos com comentários nada construtivos.

"Dois cuidados precisam ser tomados nesse trabalho. O primeiro é preservar as pessoas. As ações devem ser trabalhadas de forma coletiva para que a equipe entenda que o problema é de todos e não de uma só pessoa. O segundo é resolver todas as reclamações. A falta de posicionamento dá margem para que as fofocas voltem a aparecer", afirma Ana.


Assista ao terceiro vídeo da série Como Lidar com a Equipe, com o consultor Antônio Carlos Carneiro.

TRIO GESTOR: QUEM FAZ O QUÊ

Conheça as responsabilidades de cada função do trio gestor

Diretor

- Responde legalmente, judicialmente e pedagogicamente pela escola
- Assegura, acompanha e controla os materiais e os recursos financeiros da escola
- Articula o relacionamento com a comunidade interna e externa escola
- Colabora nas decisões da rede e concretiza as políticas públicas na escola
- Lidera a elaboração e revisão do projeto político-pedagógico
- Garante as condições para o cumprimento do projeto
- Assegura e acompanha os momentos de planejamento e estudo da equipe
- Cuida do desenvolvimento dos profissionais
- Levanta, analisa e acompanha o desempenho dos alunos
- Desenvolve projetos institucionais em parceria com o coordenadores e equipe
- Articula a equipe para o planejamento e a realização das reuniões de pais
- Elabora o cronograma e realiza reuniões regulares com os diferentes segmentos da escola
- Orienta a organização do espaço e assegura a exposição das produções dos alunos
- Garante o acesso ao acervo da escola

Coordenador pedagógico

- Coordena os momentos de formação em serviço dos professores
- Participa junto com os professores do planejamento das atividades e acompanha sua realização
- Observa aulas dos professores para ajudá-los no desenvolvimento das atividades
- Realiza com os professores nas reuniões de pais
- Colabora na elaboração do projeto político-pedagógico
- Cuida para que o projeto seja cumprido no dia a dia
- Acompanha e analisa junto com os professores o desempenho dos alunos
- Realiza, organiza e mantém os registros do trabalho pedagógico
- Realiza reuniões regulares com o diretor para analisar as condições e o processo de ensino e da aprendizagem
- Organiza junto aos professores a exposição das produções dos alunos
- Analisa e divulga o acervo da escola

Supervisor

- Sistematiza as diretrizes curriculares da rede
- Coordena e acompanha a formação de coordenadores e diretores
- Acompanha, organiza e mantém registros da formação continuada na rede
- Realiza e levanta estudos e pesquisas
- Articula a troca de experiências entre os profissionais das escolas
- Acompanha e articula a execução dos projetos político-pedagógicos das escolas com o Pano Educacional da Secretaria
- Acompanha e auxilia o trabalho dos gestores e coordenadores
- Avalia o desempenho dos alunos e indicadores de aprendizagem das escolas
- Participa de comissões sindicantes
- Acompanha o cumprimento dos dias letivos

Fonte: Secretaria da Educação do Estado de São Paulo via Revista Nova Escola