domingo, 14 de agosto de 2016

COMO ACABAR COM A FALTA DOS PROFESSORES


                                                                                            Foto: Jeff Cadge/Gettyimages

Correndo até a sala do diretor, a coordenadora pedagógica traz a má notícia. Mais uma vez, sem avisar, dois professores faltaram. Mais de 60 alunos estão largados nas salas de aula. O problema, que deveria ser uma exceção, faz parte da rotina das escolas brasileiras e é um dos desafios que o gestor tem de enfrentar para evitar atrasos na aprendizagem. Mas como impedir que o absenteísmo comprometa o projeto pedagógico e atrapalhe os alunos? Nesta reportagem, você vai descobrir que a resposta está em dois pontos cruciais para uma boa administração escolar: no planejamento e em uma eficiente gestão de pessoas - que inclui muita conversa com os faltosos para reduzir as ausências (veja no quadro abaixo sete dicas práticas para conduzir a conversa com os docentes que mais faltam).

Na rede estadual de São Paulo, a maior do país, com 5.463 escolas, todo dia 12 mil professores faltam, em média (a rede possui 189 mil docentes). Na tentativa de mensurar o impacto desse problema, Priscilla Tavares, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de São Paulo, elaborou o estudo A Falta Faz Falta?, no qual avaliou os prejuízos causados pelo absenteísmo no desempenho em Matemática de alunos da 4ª série da rede paulista. "A situação é preocupante porque, a cada duas ausências de um titular, os alunos perdem 0,14 ponto na prova do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo, o Saresp", afirma a pesquisadora.

Os altos índices de absenteísmo não são exclusivos da rede paulista. A rede estadual fluminense concedeu, em agosto de 2009, 6 mil licenças, e a do Distrito Federal contabilizou mais de 340 mil faltas no primeiro semestre de 2009. No Rio Grande do Sul, onde são permitidas até dez faltas sem justificativa, mais de 46 mil licenças foram tiradas entre janeiro e outubro de 2009 (para o total de 79 mil professores). Em Alagoas, uma das soluções encontradas foi a contratação de 6 mil monitores universitários para substituir os professores de carreira que não aparecem.

Refém de legislações - que em diversos estados e municípios oficializam as faltas - e de uma realidade educacional na qual é regra a carga horária inchada para compensar os baixos salários dos docentes, o diretor precisa enfrentar esse problema. O primeiro passo é conversar com o professor para saber o motivo de tantas faltas. A justificativa número um é a saúde. Diversas pesquisas comprovam a vulnerabilidade dos docentes a moléstias relacionadas ao uso da voz e ao estresse mental e físico, manifestado em dores musculares e de cabeça e na chamada síndrome de burnout (esgotamento físico e mental ligado à vida profissional). Estudo realizado pelo Ibope e pela Fundação Victor Civita em 2007 com 500 professores da rede pública de capitais mostrou que 40% deles afirmam sofrer com doenças. Nesses casos, o diretor deve avaliar os atestados médicos antes de abonar as faltas e, quando possível, negociar para que as consultas não prejudiquem o andamento das aulas.

Diversas outras razões pessoais, como questões familiares, falta de tempo para resolver problemas cotidianos e o desencantamento com a profissão, são usadas como justificativa. Nesses casos, o gestor deve mostrar os prejuízos causados pelas faltas e buscar soluções em conjunto com cada docente. Essa é uma etapa importante, na qual é fundamental equilibrar a compreensão dos problemas dos professores - sem se tornar cúmplice - e a firmeza para estabelecer rotinas que reduzam as ausências.

Use a criatividade para driblar as faltas, mas não dispense o aluno

Algumas faltas, porém, sempre existirão. E os estudantes não podem ser prejudicados. Aí entra o planejamento. Quando há tempo, a primeira opção é convocar um professor substituto. Mas, se esse profissional não está disponível, o mais comum é distribuir os alunos em outras turmas, deixar um docente responsável por mais de um grupo, delegar a responsabilidade para funcionários de apoio ou criar atividades na sala de leitura, informática ou na quadra de esportes. "A pior opção é dispensar os alunos ou adotar a aula vaga, quando os estudantes ficam esperando o próximo professor", diz Silmar dos Santos, mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e autora da pesquisa As Faltas de Professores e a Organização de Escolas na Rede Municipal de São Paulo.

Certamente algumas dessas medidas emergenciais ajudam a reduzir o prejuízo para a aprendizagem. Porém a perda é inevitável. Mesmo que o diretor consiga fazer a substituição do docente, sempre haverá certo impacto no desempenho, já que esse profissional eventual tem menos tempo para planejar a aula e, em geral, desconhece as necessidades de aprendizagem de cada estudante.

Melhor do que resolver a falta na última hora é trabalhar para reduzir as ausências. E algumas estratégias podem ajudar. Uma bastante comum em várias escolas é o agendamento de faltas. Consiste em combinar com os professores para que avisem com o máximo de antecedência quando precisam faltar. Silvana Marques, diretora da EMEF Professor Fernando de Azevedo, em São Paulo, adota essa estratégia (leia o depoimento acima). Outra maneira é negociar reposições. É o que faz a diretora Márcia Masiel na EEEM Itália, em Porto Alegre. Lá, quem falta tem de repor a aula no contraturno ou nos fins de semana (leia o depoimento abaixo).

Em casos mais graves, quando as faltas são constantes e sem justificativa, o gestor pode recorrer a instrumentos legais. Além de advertências e penalidades como suspensões, que são permitidas por algumas legislações locais, é possível entrar com um processo administrativo na Secretaria de Educação. Para isso, o diretor precisa recolher todos os registros que comprovem as faltas excessivas. Em última instância, um profissional pode ser exonerado. "Raramente isso acontece. Há carência de professores e dificilmente o diretor vai aplicar uma punição que aumentará esse déficit", acredita Silmar dos Santos.

Como se vê, o absenteísmo é complexo e envolve questões legais e administrativas também. No campo das políticas públicas, a criação de uma estrutura de prevenção em saúde, alterações na legislação e uma atuação fiscalizadora e de apoio das supervisões de ensino são medidas mais do que necessárias. Algumas redes já investiram em mudanças. A de São Paulo, por exemplo, adotou o estágio probatório de três anos, período em que o professor cumpre requisitos - entre eles a assiduidade - para conseguir a estabilidade. O bônus por desempenho dos alunos leva em conta também a frequência. "Para desenhar políticas consistentes contra o absenteísmo no Brasil, é preciso criar um banco de dados consolidado. Talvez o problema seja ainda maior do que se pensa", alerta a pesquisadora Priscilla Tavares.

Fonte: Revista Nova Escola/Gestão Escolar

COMO USAR BEM O HORÁRIO DE TRABALHO COLETIVO PEDAGÓGICO (HTPC)



Refletir sobre a prática, planejar as aulas e estudar para ensinar melhor são tarefas tão importantes quanto lecionar, certo? Todos os que lutam por uma Educação de qualidade concordam que a capacitação profissional é fundamental - mas não é isso que se vê no Brasil desde que a lei 11.738/2008 foi sancionada. Mais conhecida como Lei do Piso, ela instituiu um valor mínimo nacional para os salários dos profissionais do Magistério público da Educação Básica e definiu um limite máximo (dois terços da carga horária) para as atividades de sala de aula. Ou seja, o outro terço do tempo deve ser pago pelas redes municipais, estaduais e federais para que todo educador aperfeiçoe sua formação.

Ocorre que os governos do Ceará, de Mato Grosso do Sul, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul entraram, no início do ano, com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) alegando que a lei é inconstitucional. Felizmente, o STF determinou que ela é válida, sim (mas, por uma dessas filigranas jurídicas, chamada efeito vinculante, a decisão só tem efeito nos cinco estados. Se outro resolver questionar o assunto novamente, a mais alta corte do país terá de voltar a deliberar).

A ação judicial foi o ápice de uma série de discussões que tem por objetivo pontuar os "problemas" que a lei acarreta. Estados e municípios alegam não estar preparados para investir na prática docente. Só isso... A julgar pelas reportagens que pipocam semanalmente em jornais, sites e emissoras de rádio e televisão, nossos governantes parecem estar mais preocupados em manter intocáveis os orçamentos e organogramas das Secretarias e das escolas, em vez de traçar planos objetivos e eficientes para reorganizar as contas e o uso do tempo, de forma a fazer valer o horário de trabalho pedagógico coletivo (HTPC), a hora-atividade, a reunião pedagógica, a atividade extraclasse (ou qualquer que seja o nome dado ao tempo dedicado à formação profissional).

Por todos os lados que se analise a questão, é fácil perceber que as reclamações não têm razão de ser. Do ponto de vista financeiro, a situação pode ser resolvida com um pouco de dedicação das Secretarias. Mal começou a chiadeira, o Ministério da Educação (MEC) publicou em março uma portaria definindo critérios para que estados e municípios solicitem recursos adicionais para cumprir a Lei do Piso. A rede vai precisar contratar educadores para atuar em sala de aula enquanto os colegas estão no HTPC e isso impacta a folha de pagamento? Basta comprovar, entre outras coisas, que 25% das receitas são aplicadas na manutenção e no desenvolvimento do ensino, que a rede tem um plano de carreira para o Magistério com legislação específica e cumpre o regime de gestão plena dos recursos vinculados para manutenção e desenvolvimento do ensino. Fazendo isso, o MEC autoriza o uso de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para efetivar as novas contratações. (A assessoria do MEC, aliás, informa que, até o fechamento desta edição, nenhum município ou estado comprovou a necessidade de complementação de recursos para esse fim.)

No âmbito pedagógico, o que a lei determina deveria ser enxergado como uma conquista para o Magistério e para um país que sonha se destacar no cenário internacional - uma conquista tão grande quanto o desafio que está nas entrelinhas (e este, sim, deveria ser o centro dos debates): o que fazer durante esse tempo e como garantir que ele seja bem aproveitado pelos professores e por toda a equipe escolar em benefício da aprendizagem dos alunos.

O HTPC deve ser realizado dentro do ambiente escolar, levando em conta as necessidades de cada comunidade. No dia a dia, seu papel é permitir o desenvolvimento de atividades como formação continuada, correção de provas, reflexão coletiva sobre o trabalho docente, reuniões com pais e planejamento de aulas. Para que esse tempo de formação em serviço seja útil, é fundamental planejá-lo corretamente para que cada uma das tarefas ocupe um espaço adequado na rotina dos educadores. As questões administrativas e referentes à gestão, por exemplo, têm de ficar num papel secundário. Para os professores, o que realmente importa é poder se dedicar ao aperfeiçoamento da prática, um trabalho que exige a participação permanente (e estratégica) dos coordenadores pedagógicos. É deles a responsabilidade de organizar os momentos de formação, assim como acompanhar de perto o que é realizado individualmente e orientar o diálogo sobre a prática docente, promovendo a troca de experiências dentro da escola.

A princípio, pode parecer muita coisa a fazer - e, é preciso reconhecer, fácil de se perder em meio a papos de corredor e reuniões dominadas por mensagens motivacionais e apresentações de computador cheias de imagens fofinhas. É exatamente por isso que não podemos mais fugir do foco principal, que é seguir a lei e o espírito da lei: criar um tempo para melhorar a qualidade do trabalho docente. Toda e qualquer ação em outro sentido deve ser encarada com uma afirmação clara de que a Educação no Brasil continua em segundo plano.

Fonte: Revista Nova Escola/Gestão Escolar

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

SEGUNDA EDIÇÃO DA PROVINHA BRASIL TERÁ APENAS VERSÃO DIGITAL

Neste ano, a segunda edição da Provinha Brasil terá apenas a versão digital e, no ano que vem, a avaliação será suspensa, segundo nota do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O texto, assinado por Maria Inês Fini, presidente do órgão, informa que as decisões foram tomadas devido a restrições financeiras e "em razão das alterações curriculares que envolvem a Base Nacional Comum Curricular".

O exame existe desde 2008 e é destinado a avaliar a aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática de alunos do 2º ano do Ensino Fundamental de escolas públicas do país. Ela é aplicada pelas próprias instituições duas vezes ao ano, no início e no final. Ao contrário da Prova Brasil, a adesão à Provinha é opcional. A decisão de participar ou não é das secretarias municipais e estaduais de Educação.

As escolas que realizarão o exame poderão acessar o material da segunda edição no portal do Inep a partir do dia 15 de agosto. Dúvidas podem ser enviadas para o e-mail provinha.brasil@inep.gov.br.

Outra avaliação

No final de julho, o Inep anunciou a aplicação da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), outra avaliação externa voltada para estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental. O exame, que acontecerá entre 14 e 25 de novembro, analisa o aprendizado de alunos do 3º ano de todas as escolas públicas urbanas e rurais com pelo menos dez estudantes matriculados por turma.

Quando a ANA foi criada, em 2013, alguns educadores questionaram a necessidade da prova, uma vez que já existia a Provinha Brasil, cujos resultados chegavam mais rápido aos gestores e professores. A maior vantagem da ANA seria o caráter censitário e o maior controle do governo sobre essa etapa da escolarização.

Com Nova Escola

OFERECER PRÊMIOS NÃO FAVORECE A APRENDIZAGEM

Quem é disciplinado pode ganhar um videogame. Quem tira notas altas recebe dinheiro. Por mais estranho que pareça, algumas escolas usam a premiação para incentivar determinadas ações por parte dos alunos. A prática de distribuir prêmios não é educativa e, além disso, mascara os verdadeiros problemas de aprendizagem.

Dar presentes para quem tem bom comportamento, por exemplo, pode esconder a dificuldade da equipe pedagógica em tratar as atitudes dos estudantes como um conteúdo - por isso "compra" a disciplina com um brinde. Para solucionar questões como essa, é preciso voltar-se para a formação dos alunos como pessoas conscientes de seu papel na sociedade e no contexto escolar.

Já quem premia o bom desempenho demonstra não saber ensinar a crianças e jovens a importância do conhecimento. E ainda existe o perigo de passar a ideia de que apenas notas altas são sinônimo de aprendizagem. Há alunos que têm dificuldades com certos conteúdos, mas se empenham em aprender. "Os prêmios valorizam apenas o resultado e não o processo e o esforço de cada um", diz Sandra Kraft do Nascimento, pedagoga e psicopedagoga clínica, de São Paulo. Cabe aos gestores e professores descobrir como cada aluno aprende e promover maneiras de atender à diversidade.

Há ainda a premiação por meio de concurso: vira rei ou rainha da escola quem vender mais ingressos para a festa junina ou arrecadar mais dinheiro para a compra de um computador. Ou ganha um brinde quem fizer a fantasia mais bonita para a festa de Carnaval. Nesse caso, o risco é alimentar a competição e beneficiar quem tem mais poder aquisitivo. Uma alternativa é propor ações que estimulem a cooperação e sejam de cunho educativo. "O importante é não perder o foco na formação das crianças e pensar sempre no que elas estão aprendendo com cada uma das propostas", lembra Sandra.

Com Nova Escola

quarta-feira, 20 de julho de 2016

É O QUE ACONTECE QUANDO O DICIONÁRIO VIRA CALÇO DE CARTEIRA

O e-mail que recebi começa assim:

"Aí vai um desafio para quem quiser testar seus conhecimentos de língua Portuguesa. Trata-se de um teste realizado em um curso na American  Airlines. Na frase abaixo deverá ser colocado 1 ponto e 2 vírgulas  para que a frase tenha sentido. 

PENSE antes de ver a resposta que está no final da página. Afinal,  assim não seria um teste.
Essa já é difícil para brasileiro. Imagine para americano..."

Entendeu? Daqui a pouco coloco a frase. A parte riscada não interessa à apresentação aqui no blog.

Vou só comentar que a idéia implícita é que a Língua Portuguesa é osso duro de roer e às vezes não entendemos uma ou outra comunicação por causa da sua estrutura.

Bem, eis a frase, para você que ainda não entrou em contato com esse e-mail.
" MARIA TOMA BANHO PORQUE SUA MÃE DISSE ELA PEGUE A TOALHA."

 Seguindo-se a orientação deixada na consígnia, você tem que encontrar na frase locais para se colocar "(1) ponto", que, como não está claro a que ponto se refere o autor da questão, devemos entender que seja o ponto-final, e "(2) vírgulas", levaremos em conta que o autor não nos deixa à vontade para colocarmos mais do que a quantidade de pontuação estipulada.

Aí vem nova recomendação para você não correr para o fundão do e-mail e olhar a resposta antes de tentar acertar e, enfim, após umas linhas em branco...

RESPOSTA :  Maria toma banho porque sua. Mãe, disse ela, pegue a toalha.

E após a resposta, a seguinte explicação:

A 'pegadinha' está no fato do uso do verbo suar, confundindo com o  pronome possessivo (sua).. A Língua Portuguesa é fogo, mesmo.

He! He! Para mim a pegadinha está em tudo. "Maria toma banho porque sua." e "Mãe, disse ela, pegue a toalha." deveriam ser escrito assim: 


CABEÇA DE FACEBOOK

A rede social Facebook é mais do que um ambiente na internet onde as pessoas se encontram para bater papo, mostrar o que estão aprontando, aonde estão indo, o que estão aprendendo dentre outras coisas.

No ambiente o mundo parece ser perfeito. A gente nem consegue entender porque há tanta violência e tragédia aparecendo na televisão ou nos jornais. Dá até vontade de não largar o Facebook porque o mundo ali parece ser melhor. E a gente ainda consegue voltar ao passado e encontrar os amigos que não víamos há anos!

Bem, acontece que o cidadão facebookiano já virou uma raça. Não são humanos mais. Pudera, pelo menos no ambiente ninguém é de carne e osso. Só ideologia. Que a gente nem sabe se realmente condiz com o corpo e alma que escreve, mas voilá, que seja. Na pior das hipóteses há uma curiosidade ou um conhecimento vindo do cara que a gente pode assimilar. Vamos ver as principais características que descrevem o facebookiano?

1. No Facebook ninguém é racista. Se o Hitler ou a Ku Kux Klan estivessem vivo ou na ativa e colocassem perfil na rede eles teriam milhares de seguidores. No mundo real iam tudo seguir para a fornalha ou para a forca em se tratando de Brasil, onde a maioria das pessoas são negras autênticas ou mestiçadas!

2. No Facebook o Brasil é um país espírita, seguido de perto pelos protestantes. E a turma do Dalai Lama vem em melhor posicionamento do que o pessoal do catolicismo. E todo mundo por ali parece praticar o bem, como bons cristãos, amam o próximo e servem a Deus. Só as guerrinhas entre igrejas é que prevalecem.

3. A linguagem utilizada no Facebook é o sermãonês. É. Porque todo mundo ali adora pagar um sermãozinho para o outro que entrou na rede dele e ele às vezes nem conhece, nem sabe se tal pessoa passa por tal necessidade de se ouvir o tal sermão disparado. E tem que ser com cara de mensagem indireta, "essa é para você", senão a coisa não funciona.

4. No Facebook a conscientização social existe. É um mundo perfeito. Todo mundo vota bem, alerta contra os candidatos que eles acabam votando neles. Ajudam a procurar pessoas desaparecidas. Denunciam corrupção, táticas de criminosos, golpes de empresas. Até o Governo passa por maus lençóis no Facebook. Só não dá para entender porque o Governo continua conseguindo tudo o que ele quer.

5. No Facebook todo mundo preocupa com a natureza. Fato! Talvez por ser um ambiente virtual a gente não vê papel no chão, fumaça de cano de descarga, CFC exalando dos freezers para deixar a ice vodka bem geladinha para se tomar durante a balada na boate nova que abriu. Ah: e ninguém faz barulho com seus carros na rua, com o celular nos transportes públicos ou com o som da sala da casa dele. Silêncio total, poluição sonora zero!

6. No Facebook futebol é só um instrumento para chacotar o outro ou para achar-se superior. É isso mesmo! O cara acha que o time dele tá melhor então ele aproveita para tirar sarro do colega que torce para o time rival. Se o time do rival, porventura, visitando a história, tiver melhores conquistas, aí o cara vai à forra e faz um levantamento geral, encontrando as informações nos bancos de dados que armazenam informações fúteis, e mostra para rede toda que o "alegrinho" da atualidade tem muito ainda para tirar. Ou seja: essa besteira, no Facebook é que nem na rua mesmo! Engraçado é que todo mundo no Facebook acha que campeonato de futebol é uma farsa, mas continua contribuindo com ela.

7. No Facebook todo mundo é vendedor, designer, chargista ou publicitário. Creio que deva ser bastante difícil você conseguir um pedreiro, um encanador ou uma cozinheira na rede.

8. No Facebook todo mundo tem dinheiro. É. Parece que só o fato de você ter um perfil em um ambiente cibernético que necessita o uso de uma boa conexão, um bom computador ou um bom celular já diz para qualquer um que o usuário não é pouca bosta. Convenhamos: ninguém está mentindo, afinal o ambiente é virtual, a mentira é permitida. E depois, se a pessoa não tiver nem mantimentos na geladeira, pois a grana do mês só deu para pagar o provedor de acesso, não vai fazer a menor diferença. Esqueceu que no Facebook ninguém come?

9. No Facebook todo mundo é bonito. Independente da possibilidade de se abusar do Photoshop para dar aquela produzida na foto do perfil, ninguém no Facebook veste mal, penteia mal, tem mau cheiro ou tem pereba no corpo. Já leu alguém por ali falando sobre isso? Ah: mas que escrevem mau, ah, isso sim!


10. No Facebook todo mundo quer ser amigo. Pintou uma carinha do lado sugerindo que você adicione o perfil como amigo, tá lá o clique aderindo. O mesmo acontece se aparecer um recado de alguém querendo ser um amigo. Legal isso: a gente lota o perfil de pessoas e a grande maioria nem tasca para a gente, só aproveita para encher o seu mural de tudo isso que vimos aí para cima.