terça-feira, 14 de março de 2017

INDISCIPLINA – ERRO NO. 2: BATER BOCA COM O ALUNO



Quer você seja um Professor recém formado ou veterano, tenho certeza que já vivenciou, alguma, ou várias situações envolvendo ” bate boca” com aluno. Provavelmente você ficou estressada, perdeu tempo, atrasou o planejamento , desentendeu-se com os Pais do aluno, levou bronca da Coordenação, desgastou-se e…. não chegou a lugar nenhum.
 
Na verdade, essas situações potencializam a indisciplina já existente na sala de aula, pois drena todas as forças, motivação, interesse e paciência do Professor.

Mas, para compreendermos como lidar com situações de “bate boca” é preciso conhecermos como elas se desenrolam e o que as desencadeia, para que possamos definitivamente combatê-las e extirpa-las.

O que é o “bate-boca” ?:

Coloquialmente denominamos de “bate boca” toda discussão verbal, que ocorre de forma acalorada com a troca de palavras ásperas, e no final das contas não se resolve nada, portanto mostram-se inúteis. Quando discussões deste tipo ocorrem na sala de aula servem para tumultuar e deixar todos de ânimos exaltados.

Tipos de bate boca:
 
Existem três grandes gatilhos que prenunciam que um “bate boca” vai começar, são eles:

1)Fazer perguntas redundantes:
 
Átila, porque você está conversando? Já não falei que é para fazer a lição ? 

“Parece familiar ? Pois é, eu também já fiz perguntas desse tipo. Quando fazemos perguntas redundantes é como se, implicitamente, disséssemos aos nossos alunos :

“ Átila, farei uma pergunta redundante para que você possa distorcê-la e manipular-me e quem sabe até ficar com o controle da situação, talvez a sala inteira até divirta-se às minhas custas se você complementar com alguma gracinha no final 

“ao fazer uma pergunta redundante, que tipo de resposta você acha que obterá do aluno ?

“ Sabe “Pro”, converso porque eu não estou a fim de assistir sua aula, então prefiro “papear” com os meus colegas ao invés de prestar atenção no que você fala”.

Com certeza não era a resposta que você esperaria receber ! No entanto é a resposta que você obterá na maioria das vezes.

Usar perguntas redundantes, achando que estará disciplinando efetivamente, é uma ilusão, e o que é pior, você abrirá uma brecha para ser manipulada e tornar-se o alvo das chacotas por parte dos alunos.

2)Argumentar com aluno

Professor: “ Atila, já falei que você não pode sair da sala ”

Átila: “ mas por quê não ? “

Professor: “ Porque você tem de esperar o horário do intervalo”

Átila: “ porque então você deixou o Ivan sair ? “

Professor: “ Porque o caso dele é diferente “

Átila: “ diferente por quê? Eu também preciso ir .

Qualquer situação onde o Professor entra em uma argumentação sem fim, inevitavelmente, acabará em “bate boca”. Não demorará muito para ambos os lados estarem exaltados, com voz alterada e trocando ofensas.

3)Pedir justificativas

Quando o Professor exige que o aluno justifique o injustificável, está pedindo para ouvir o que não quer.
 
Professor: “ Atila, porque você colou chiclete no cabelo da colega ? “

Átila: “ Porque ela é uma chata”

Professor: “ Ivan, porque você colou na prova ? “

Ivan: “ Não era cola, foi só um lembrete caso eu esquecesse das respostas”

Professor: “ Porque você estava brincando na aula de Matemática ? “

Ivan: “ Eu não estava brincando, estava explicando para meu amigo  um novo passo de dança“.
 
Situações que provocam o aparecimento do “bate boca”:

Como já foi dito anteriormente, algumas situações de indisciplina são potencializadas pela nossa postura, no entanto outros fatores também contribuem para o aparecimento do “bate boca” dentro da sala de aula entre aluno e Professor, tais como:

    – aluno chega irritado de casa ou da rua

    – aluno que ouve os Pais depreciarem o trabalho do Professor

    – Professor que já está esgotado de dar várias aulas seguidas

    – quando a turma ignora o Professor

    – quando o trabalho do Professor é depreciado pela Direção/Coordenação

    – quando o Professor demonstra-se inseguro ao entrar na sala de aula

    – quando o Professor é permissivo ou quando é autoritário

    – quando o aluno sabe que os Pais virão à Escola para reclamar do Professor com a Direção

 Como agir :
 
Por muito tempo eu ficava aflita e apreensiva, pois essas situações me angustiavam. Com o passar do tempo e depois de muito tropeçar e cair cheguei a constatação que lidar com tudo isso requeria um conjunto de medidas que não estavam em minhas mãos, e sim nas mãos do Gestor, e até do Poder Público.
 
Seria ótimo se na minha Escola eu pudesse contar com:

– Um Orientador Educacional

– Um Programa de Saúde/Qualidade de Vida para Professores

– Um salário digno que possibilitasse que eu permanecesse em dedicação exclusiva em apenas uma Escola

– Que a minha Escola tivesse implantado uma Escola de Pais, onde as Famílias aprenderiam mais sobre educar os filhos e seriam cobradas por isso.

– Que os Gestores tivessem mais preparo técnico quanto a gestão administrativa e pedagógica da Escola
 
Mas, como boa parte destas medidas, infelizmente, ainda é uma utopia, até mesmo para os dias de hoje, resolvi investir em medidas em que EU pudesse controlar e implantar.

Assim, além de evitar tudo o que foi exposto acima, passei a dar ao aluno a DIREÇÃO do que ele deveria fazer.
Ao constatar que o Átila estava conversando, eu não perguntava, não queria mais justificativas, e muito menos entrava em argumentação com o aluno. Simplesmente ele era informado do que deveria fazer.
Professor: “Átila, este não é o momento para conversa. Retome a sua tarefa, pois dentro de X minutos, você e mais 5 colegas realizarão a correção dos exercícios no quadro negro".
 
A minha dica é, diariamente temos de aprender com nossos erros e procurar tirar proveito deles para criar novas ferramentas, estratégias que nos auxiliem a implementar as mudanças em nossa postura, e principalmente revermos e ampliarmos nosso conhecimento técnico sobre gerenciamento da sala de aula, relacionamento interpessoal, resolução de conflito e novas práticas de ensino.
Se essas dicas foram úteis para você, comente no blog.
(SOS Professor)

É SEGURO SER PROFESSOR DE ESCOLA PÚBLICA ?



Professor de Escola Pública tornou-se uma profissão arriscada!

Todos os dias recebo muitos e-mails de Professores de Escola Pública. A grande maioria desses e-mails referem-se às agruras de terem de lidar com alunos indisciplinados e com uma gestão omissa.

PROFESSOR DE ESCOLA PUBLICA 

Infelizmente esta é a realidade de boa parte dos Professores de Escola Pública pelo Brasil afora.
Em um desses e-mails um Professor de Escola Pública, relata as afrontas que sofria diariamente por parte dos alunos de fundamental II em uma Escola  da periferia.

O nível de estress deste Professor de Escola Pública estava nas alturas. Era relatado também  o estress dos colegas que ao tentarem dar parte na polícia devido a uma situação em que um aluno agrediu verbalmente um Professor, foram aconselhado a não fazê-lo pois por tratar-se de aluno menor a queixa se voltaria contra o Professor.

Em outro e-mail recebo relatos de Professor de Escola Pública  que sofreu agressão física,  outro Professor de Escola Pública teve seu carro depredado e foi parar no hospital . Ou seja, para muitos, ser Professor de Escola Pública é uma profissão de risco!

Qual seria a solução? Tirar o Professor da Escola Pública, ou mudar a Escola Pública?

Bem, os fatores que contribuem para esta situação nas Escolas Públicas são os mais diversos, alguns estão fora da alçada e do poder do Professor e da Escola, outros, porém podem ser minimizados e/ou evitados com a implementação de determinadas medidas.

Para que neste ano, você não passe por situações de constrangimento, violência, agressão e estress, ou se passar saiba como minimizá-las ou até mesmo a evitá-las, propomos abaixo algumas ações que tanto você quanto a sua Escola Pública ou não, poderão implementar, garantindo assim um ano letivo mais produtivo e mais seguro:

Quanto a Gestão de Escola Pública:

• criar regras e procedimentos claros quanto às ações disciplinares
• ter elaborado um plano consistente de Educação Continuada para a Equipe de Professores e Equipe de Apoio
• Acompanhar a implementação das ações do PPP e do Planejamento Anual.

Quanto ao Professor de Escola Pública:

A queixa central dos Professores de Escola Pública do Fundamental II e Ensino Médio, é que, como os alunos não veem sentido na Escola tratam com descaso o aprendizado e o Professor, e por esta razão, inviabilizam que o trabalho do Professor alcance resultados positivos.

Aqui vale ressaltar que , o indivíduo não se vê realizando sonhos de vida (futuro) e por esta razão ele vive o “ agora”, o “ presente”.

Esta visão imediatista da vida faz com que o “ amanhã” não seja pensado ou planejado. Vive-se apenas o momento e já que eles acreditam que esse momento é o único que importa, querem vivê-lo em toda sua plenitude, causando assim um sem número de situações que muitas vezes não tem volta e podem, inclusive comprometer o futuro.

O encaminhamento na Escola Pública desta questão não ocorrerá de forma rápida e nem será fácil, porém já que o aluno tem pelo menos 4 anos de Fundamental II e mais 3 anos de Ensino Médio, totalizando 7 anos, é tempo mais que suficiente para ser trabalhado, incutido e gestado sonhos de vida.

• A Escola Pública deve trabalhar em sala Projeto de Vida (com ações para a realização dos sonhos)
• A Escola Pública precisa trabalhar Biografias de gente comum que venceu na vida para debate em sala de aula, e Biografias de pessoas famosas que tiveram uma vida humilde e que venceram profissionalmente graças a força de vontade e muito estudo
• A Escola Pública pode trabalhar Projetos de Empreendedorismo Social

Estas são pequenas sugestões que você poderá levar em consideração na hora de planejar o ano letivo que farão toda a diferença na vida dos seus alunos.

Ao longo do processo eles verão a importância da Escola e do Professor como ferramenta primordial para tornar possível a realização do Projeto de Vida.

(SOS Professor)


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

“QUEM PRECISA MAIS DE VOCÊ É O SEU PIOR ALUNO”, DIZ ESCRITOR PEDRO BANDEIRA AOS PROFESSORES



Autor de best-sellers infantojuvenis como “A Droga da Obediência” e especialista em letramento e técnicas de leitura, Pedro Bandeira comparou as profissões de professor e médico, em palestra na 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. A uma plateia cheia de fãs e professores, ele sugeriu que os docentes se atentem às diferenças entre os alunos.

“Cada aluno é diferente do outro. Você tem que ter a habilidade de cuidar de diferentes”, disse ele, que comparou: “Quem precisa mais de médico? É quem está mais doente. Quem precisa mais de você? É o seu pior aluno. O seu bom aluno não precisa de você, ele anda sozinho. Mas se você não cuida do seu mau aluno, ele vai embora”.

O autor deu dicas a professores que querem estimular a leitura, afirmando que alunos que têm mais dificuldades de ler podem ser incentivados, inicialmente, com trechos menores e textos ritmados. Bandeira criticou os professores que cobram que todos os alunos comecem por livros do mesmo tamanho e entendam de forma igual.

“Não existe isso. É a mesma coisa que o médico receitar o mesmo remédio para todos os pacientes”, afirmou ele, que reforçou a necessidade de cuidar dos alunos com dificuldades de aprendizado: “Nossa política sempre foi essa, a de excluir. o mau aluno não interessa, eu expulso da classe. Sempre foi assim. Mas no hospital vou expulsar quem está pior?”

Outro ponto criticado pelo autor foi a preocupação com as notas. Mais uma vez comparando com o universo da medicina, ele disse que as notas são os exames de laboratório que só interessam ao médico, já que o importante é que o paciente saia curado e que o aluno aprenda.

“A nota não é importante. A nota é para você, a prova é para você, assim como o exame de laboratório é para o médico”, disse ele, que ironizou: “Se você for procurar um emprego, não vão perguntar qual foi foi sua nota de ciências na 3ª série. O que importa é o que você é hoje”.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

PERSEGUIÇÃO POLÍTICA – UM MAL QUE RONDA NOSSO MUNICÍPIO

A perseguição política é uma das formas mais covardes de tentar manter o poder sobre as pessoas, é um tipo de comportamento que só é atribuído à pessoas fracas e inseguras acompanhadas de um caráter duvidoso.

O líder inteligente e seguro usa seu tempo para motivar e incentivar tanto os funcionários públicos, bem como todo cidadão, para que se sintam respeitados e valorizados.

Fico realmente espantado ao ver o comportamento de certos agentes públicos que se acham acima da lei, imbatíveis, com super poderes...tão ingênuo acreditar que todo poder durará para sempre, inevitavelmente todo aquele que hoje está investido de poder, em algum momento voltara as funções de origem, quem exerce cargo de confiança voltará ao seu cargo normal, quem é político eleito voltara a fazer parte da classe dos meros mortais, tudo passa, inclusive o poder que se julga ter sobre as outras pessoas. A vida é uma roda gigante: “trate as pessoas como você gostaria de ser tratado”.

É uma pena vermos pessoas com discursos tão cativantes indo na contra mão de suas próprias palavras, E, o pior, é que vivem cercados de pessoas interesseiras. Pessoas que muitas vezes ficam do lado somente enquanto dura o poder e seu retorno financeiro, abandonando o barco ao primeiro sinal de naufrágio e pulando para o outro lado logo que o poder começa a diminuir.  São os amigos do poder, os verdadeiros amigos da onça...(Esse tipo de amigo coloca em descrédito qualquer político) Na maioria dos casos, são os amigos do poder os instrumentos usados para a pratica da perseguição política e assedio moral, dentro e fora do setor publico. São os comumente chamados “Capangas do poder”, utilizados para causar o terror em quem se posiciona contrario aos atos dos poderosos.

Outra questão muito presente no nosso município é que muitas vezes os chefes são indicados em decorrência dos seus laços de amizade ou de relações políticas com o detentor do poder, e não por sua qualificação para o desempenho da função. “Despreparado para o exercício da chefia, mas ancorado nas relações que garantiram a sua indicação, o chefe pode se tornar extremamente arbitrário, perseguidor e injusto”.


É impressionante como o dinheiro e o poder interferem no comportamento de certas pessoas, transformando-as em seres perseguidores, usam de autoritarismo, ironia. Contudo, diante de situações adversas é imprescindível manter a fé de que dias melhores virão. E além da fé e da positividade de vermos a nossa terra em boas mãos, temos também que conhecer a lei que nos protege de pessoas mal intencionadas.

O DIREITO DO TRABALHO PODERÁ SER CRIMINALIZADO.



Por Marcos Alencar 31/01/2017
Não é novidade a minha posição contrária as prisões da operação lava-jato e adjacências, porque apesar de não conhecer os autos profundamente, tive acesso as decisões que determinaram as prisões e confesso que não vi em nenhuma delas fundamento legal para prender alguém de forma definitiva antes dele se defender e ser julgado, também em definitivo.

Se os presos são culpados e se moralmente merecem todo o dissabor do cárcere? Não tenho dúvida que sim, porém, não estamos aqui tratando de “justiça com as próprias mãos”, mas sim de aplicação de princípios como o contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal (art. 5, II, LV, 37 caput, da CF), da presunção de inocência, enfim. Por entender que estes princípios foram e estão sendo violados, é que critico as prisões, inclusive a mais recente do Sr. Eike Batista.

Na medida em que a Justiça trilha caminhos à margem da lei, ela Justiça passa a ser também fora da lei. Eu tenho esta convicção e ela apenas existe porque eu defendo a legalidade. Para os que me acusam de pronunciar-me com um pano de fundo político, ressalto que da mesma forma que vejo do magnata Trump como um fora da lei, pois atropela a Constituição americana, vejo também o Partido dos Trabalhadores agindo fora da legalidade, o ex-presidente Lula se envolvendo em compras escusas, etc.

A sociedade deve cobrar, a quem quer que seja, o cumprimento aos estritos limites da Lei. Nenhum Magistrado ou agente da Polícia Federal, por mais respaldado que esteja, pode estar acima da Lei.

A Lei subordina a todos, não cabendo aqui agir em desacordo com os limites legais sob a justificativa de que está se moralizando o País. Fazer isso já é imoral, pois desmoraliza a legalidade.

Feito este ensaio, mais uma vez nos deparamos com a tentativa de criminalização do direito do trabalho.
Surge no horizonte “O projeto da Senadora Ana Rita (PT) altera o Código Penal para dispor sobre o crime de Retenção indevida de salário, tipificado como reter ou descontar, indevidamente, no todo ou em parte, salário, remuneração ou qualquer outra retribuição devida ao empregado, com pena de detenção, de um a quatro anos, e multa.” (trecho extraído do noticiastrabalhistas.com).

A alteração a ser feita, preconiza o seguinte:
Art. 1º O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal –, passa a viger acrescido do seguinte art. 203-A:
“Retenção indevida de salário
Art. 203-A. Reter ou descontar, indevidamente, no todo ou em parte, salário, remuneração ou qualquer outra retribuição devida ao empregado:
Pena – detenção, de um a quatro anos, e multa.”
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação.
**
Entendo que caberia a alteração legal, se vivêssemos num País que o Poder Judiciário cumprisse cegamente a Lei, o que não é o caso.

Os exemplo antes citados, são a prova de que a legalidade e as garantias constitucionais são “flex” do ponto de vista da aplicação e que a interpretação de rigorosas normas são – algumas vezes – no “princípio do jeitinho brasileiro”.

O mesmo argumento que se usa para negar a aprovação da pena de morte, de que muitos inocentes seriam executados, por erro da Justiça, eu me baseio para me contrapor a criminalização do direito do trabalho.

A rotina do mercado de trabalho demonstra que na maioria das vezes que o salário não é pago, é por quebra da empresa ou severa dificuldade financeira.

Não conheço histórico processual na Justiça do Trabalho de empregadores que deixar de pagar o salário por perseguição ou maldade contra a pessoa do empregado.
Porém, como disse, sou legalista e se o Congresso resolver aprovar, paciência, terão todos que cumprir.

Fica o registro para fins de reflexão.

domingo, 4 de dezembro de 2016

A ÉTICA EM SOCIEDADE E A POLÍTICA ANTIÉTICA

Sempre que o ser humano se depara com uma situação que expõe seus valores e exige uma reflexão mais profunda sobre seus princípios, reavaliando seu comportamento e sua postura social como o melhor não só para ele mesmo, mas o melhor para todos os outros, condiz com a atitude de um cidadão ético; mas quando as ações advindas das decisões apresentam consequências danosas na vida de outras pessoas, com o intuito de tirar vantagem, de ludibriar, de sufocar o direito do outro, se age de maneira antiética.

Estamos diante de um quadro atual onde muitas vezes prevalece a lei do vale tudo, do jogo sem regras e que vença o melhor, o mais astucioso e preparado, numa disputa de interesses onde os riscos parecem não existir e o escrúpulo não deixa de ser uma palavra insignificante ou que não vale a pena ser pensada. Assim é a ética numa sociedade corrompida, um termo genérico, sem eficácia e em desuso por aqueles que usam máscaras e fazem uso do sistema público a bel prazer, dissimulando, traindo e agindo de modo escuso.

É muito comum e corriqueiro o uso da palavra ética para sinalizar atos de decência, de honestidade e de bons modos, quando os atos apresentam repercussão de um ser humano preocupado com o outro, e que tem total consciência de suas responsabilidades na vida de outros seres humanos. Também é comum nos deparamos cotidianamente com ações consideradas antiéticas que simplesmente desmoralizam e propagam a degradação do homem.

A sociedade está envolvida em dilemas que exigem uma postura ética ou antiética, portanto uma decisão, e que põe em jogo o caráter e a reputação individual. Uma decisão ética não é fácil, porém é o que ainda sustenta uma sociedade nos padrões aceitáveis de civilização, é o que torna o homem mais humano e abnegado, cujos preceitos morais são responsáveis por conduzi-lo com honra, numa sociedade onde os princípios éticos e morais às vezes são censurados como bobagem e tolice, como um conjunto de regras insignificantes. 

O homem é portanto, corrupto por natureza? Ainda existe ética no meio social ou tudo não passa de regras que podem ser quebradas? Por que muitas pessoas ainda defendem a corrupção como um meio legal e cabível a todos que estão no poder? São perguntas que agitam a mente e geram discussões controversas.

Considero um verdadeiro pecado, o ser humano se tornar indiferente à falta de ética, uma vez que o comportamento social é determinante para uma relação harmônica e pacífica entre todos os homens. Como seria um mundo onde o respeito, a honestidade, a tolerância e a decência não existissem, subsistindo a indecência, a improbidade e o egoísmo? Atrevo-me a dizer que caminharíamos para o caos e a ruína da humanidade.

Muitas vezes reclamamos sobre a postura daqueles que elegemos e que fomos responsáveis por sua presença no poder acusando-os de corruptos e de tantos outros termos depreciativos para expulsarmos tamanha indignação que nos sufoca, mas não refletimos sobre nossa própria postura social, política e humana.

O que quero dizer é que não basta somente reclamarmos e o uso generalizado de impropérios e insultos contra aqueles “homens corruptos” que buscam corromper a maioria da camada social comprando a dignidade que o cidadão nutre dentro de si. O que precisa ser pensado é que quando a pessoa desvia seus atos da moral e dos valores éticos, ela também é corrupta ou se caminha para um processo de corruptibilidade; e aí ela perde o direito de reclamar contra o corrupto que está no poder, pois suas atitudes se tornam coniventes com o princípio da desonestidade e da injustiça.

Aceitar suborno ou subornar, trocar o voto por qualquer objeto, violar leis para obter algo de valor, sonegar imposto, furar fila, e etc. são algumas das atitudes vergonhosas que exibem o caráter de alguém que falte com ética na sociedade. Significa que quando o cidadão falta com a ética no seu meio e se corrompe, ele perde o direito de reivindicar, porque sua condição se concilia e se iguala ao do “corrupto”. Todavia isso não significa acreditar que todos os homens são passíveis de se corromper. Na verdade isso é um pretexto dos corruptos e corruptores: querer nivelar todos os homens como suscetíveis à corrupção e à desmoralização social.

A ética é arma que os homens íntegros, honrados e impolutos têm para combater a mácula da desonra e indecência geradas pela política antiética. A ética fortalece uma política íntegra e limpa que deve ser construída perante a presença de homens que não carregam a mancha do opróbrio, da infâmia e do sadismo. Portanto, a ética é como a bússola que aponta o rumo certo e diz respeito a toda a sociedade lesada e prejudicada por modelos de governos insanos e torpes, marcados pela incompetência e a frustração.

(O Folheto)