terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Como será a volta às aulas? Quatro escolas respondem a questão que preocupa pais, professores e funcionários das instituições de ensino infantil

 

A volta às aulas continua uma incógnita em todo o país. Enquanto os governantes não entram em comum acordo sobre quando as escolas serão reabertas, pais e responsáveis se perguntam como será quando os filhos tiverem que retornar às aulas presenciais. Haverá distanciamento de fato? Quais protocolos as escolas vão seguir? Haverá a possibilidade de manter os estudos online para os que não quiserem as crianças em salas de aula, enquanto durar a Pandemia?

 

As dúvidas são muitas. Se de um lado, o retorno às salas de aula é necessário para que os pais possam trabalhar, há uma parcela que prefere que os filhos percam o ano escolar a correrem o risco de contágio. Em um post sobre o assunto no Instagram da coluna, o @Aventuras Maternas foram mais de 250 comentários de responsáveis temerosos por este retorno.

 

Para conseguir respostas, 15 escolas foram consultadas, com diferentes classes sociais e perfis, sejam focadas apenas no Ensino Infantil, sejam especializadas na Educação a partir do Fundamental I. Apenas quatro responderam. A maioria ainda está em fase de estudo, aguardando protocolos municipais ou recebendo especialistas para ter um posicionamento científico e oferecer aos pais respostas sobre como farão para evitar aglomerações e manter medidas de segurança para alunos e funcionários.

 

O escritor, pesquisador e consultor em Gestão da Educação Renato Casagrande, do Instituto Casagrande, acredita que, caso aconteça o retorno das escolas, o cenário será bastante complexo.

 

“Primeiro porque nem todos os alunos voltarão, já que muitos pais vão se recusar a mandar os filhos para a escola por uma questão de precaução ou pelo fato das crianças conviverem com pessoas que pertencem ao grupo de risco. Ou seja, teremos uma escola incompleta. O segundo ponto é que as escolas precisarão estar muito equipadas com EPI’s e também com um protocolo de higiene e saúde, o que vai exigir investimento e muita cautela no recebimento e na acolhida desses alunos. Serão necessárias mais pias sanitárias, mais lavatórios espalhados pelo ambiente escolar, assim como álcool em gel e máscaras disponíveis para os alunos, professores e demais funcionários, além de cuidados com a troca de calçados, higienização dos mesmos, garantia do distanciamento entre um aluno e o outro etc. As salas de aula também terão que ser reestruturadas, os espaços físicos deverão passar por mudanças para o atendimento seguro de todos. Há ainda um terceiro fator que são professores do grupo de risco, que não voltarão às aulas. Portanto, além dessa infinidade de adequações, nem todos os professores e funcionários da escola poderão estar presentes. E mais um ponto, mas não menos importante: as escolas geralmente têm poucos inspetores. Então, a contenção dos alunos no espaço geral, principalmente nos intervalos, precisará de muito cuidado, já que os estudantes, principalmente quando não estão em sala de aula, querem conversar, brincar e interagir”, esclarece.

 

E não são apenas os pais que estão com dúvidas sobre o futuro. As escolas, assim como precisaram se reinventar com o anúncio da pandemia, também vão passar por mudanças para continuar/terminar o ano letivo. O Mopi, por exemplo, está construindo uma estrutura para que os alunos continuem estudando de casa, se os pais preferirem, mesmo depois do retorno das aulas presenciais. “A escola virou a chave para transformar a experiência do aluno de presencial para digital desde 16 de março. Dois dias depois do decreto da pandemia, a estrutura estava toda pronta. E como a escola respondeu muito bem à virada para o online, o impacto no planejamento foi muito pequeno. Muitos alunos estão se adaptando bem e elogiando. Mas o futuro vai depender dos números da Covid-19 e dos poderes governamentais”, explica Vinicius Canedo, diretor executivo do Mopi. “Mas é bom deixar claro que, como alguns pais estão literalmente com medo dos filhos voltarem para a escola e vão ficar mais confortáveis se eles ficarem só no modelo on-line, vamos manter o braço não presencial”, complementa.

 

Outra escola que está alinhando mudanças é a Maple Bear – a escola fez uma pesquisa com os pais e 67% gostaria de, mesmo após o retorno às aulas presenciais, ter a opção das aulas online até se sentirem mais seguros. “Temos crianças que, inclusive, fazem parte do grupo de risco por questões de saúde. Acredito que entender a necessidade dos pais e construir juntos esse momento de retomada é a melhor solução. Estamos nos preparando para oferecer as aulas remotas mesmo após a reabertura da escola. O retorno deve ser gradual e com um ensino presencial e remoto”, comenta Ariadne Tabosa, professora e administradora da unidade Freguesia da instituição.

 

Já na Espaço Kids Creche Escola, em Jacarepaguá, a diretora Priscila Aguiar conta que um informativo será enviado para os pais a fim de que orientem as crianças sobre como serão as aulas presenciais. Entre as estratégias a serem implementadas, está a de manter carteiras afastadas e fazer marcações no chão com fita crepe para que os alunos sentem sempre afastados. Quanto às trocas de carinhos, será na conversa, de forma lúdica, mas com muita fiscalização. Mas faz um adendo: como na educação infantil não há reprovação e nem controle de faltas, os pais que preferirem manter seus filhos em casa terão a opção de voltar quando acharem mais adequado. “Daremos a eles o suporte em vídeo e estaremos abertos para recebê-los quando quiserem, dentro das normas de segurança do Conselho Regional de Educação”, esclarece.

 

Também sem a proposta de aulas virtuais na retomada, Renata Reis Transcoveski, diretora do Colégio Ludolf Reis, em São João de Meriti, explica que o fato de já trabalharem com poucas crianças em sala será um grande facilitador. “Nossas professoras da Educação Infantil e Fundamental já estão trabalhando, através das aulas on-line, a conscientização por meio de histórias e “Rodinhas de conversa”, onde explicam que por enquanto os abraços e o tocar vão ter que esperar um pouquinho”.

 

Outra preocupação de pais e educadores é sobre como as escolas vão lidar com as crianças menores nesse retorno. “A volta às aulas com os pequenos é um grande desafio, até porque menores de 2 anos não devem usar máscaras. Eu diria que todo professor passará a ser uma agente de saúde na escola, com um protocolo muito rígido em relação à higiene. Além disso, as crianças encontrarão um espaço diferente na escola em que não poderão ter o contato físico. Imagine uma criança chorando porque caiu e o professor receoso de pegar essa criança no colo? Por esses e outros fatores será muito complexa a volta dos pequenos. Embora seja preciso, sabemos que será um desafio muito grande esse retorno”, lembra Renato Casagrande. E ele vai além: “Ainda sobre essa questão do contato físico, acredito que antes das crianças pequenas voltarem à escola, precisa ser feito um trabalho muito forte com os pais, a fim de orientar os filhos sobre a nova realidade da escola. Cabe às famílias explicar que eles não podem chegar na escola e abraçar os colegas. Os pais não podem esperar que o professor oriente isso, porque a criança pequena não entenderá. Simplesmente porque, hoje, dentro de casa, ela está tendo contato físico com os irmãos, com o abraços dos pais, e na escola, que é o segundo espaço de convivência mais importante para ela, não manterá esse contato. É muito importante que as escolas já orientem as famílias para conscientizarem essas crianças para que elas não sejam tão surpreendidas com um espaço escolar muito longe daquilo que elas viram quando se afastaram da escola”.

 

O que muda, na prática, no dia a dia dentro da escola


Alguns pais têm se perguntado sobre quais os cuidados que as escolas passarão a ter com o retorno às aulas, caso não possam manter os filhos em casa. Na Maple Bear, os protocolos de segurança a serem adotados serão divididos em três grupos: visitantes estranhos à rotina da escola e fornecedores, visitantes pertencentes à rotina (pais e responsáveis) e colaboradores, e alunos. “Dentro desses protocolos existem subdivisões, para garantir que estamos olhando com toda a atenção possível a cada situação que poderemos viver. Uma das decisões foi suspender as visitas presenciais para conhecer a escola. Para esses pais e responsáveis, será ofertada uma visita virtual, evitando ao máximo a entrada de pessoas que não necessitem estar no interior da escola. Os fornecedores também não poderão mais entrar. Receberemos as encomendas na porta, com o pessoal de apoio cumprindo todas as normas sanitárias, e só depois esse material será disponibilizado para uso. Dentro do protocolo de colaboradores, daremos atenção especial para aqueles que se locomovem de transporte público. O protocolo de higienização e segurança será bastante rigoroso para o acesso ao interior da edificação. Limpeza de calçados, guarda de bolsas em local separado, higienização de mãos e de roupas com álcool 70 spray. Todos precisarão medir a temperatura antes de ingressar na escola, sem exceção. Aqueles que acusarem febre serão orientados a retornar para casa e entrar em contato com o seu médico ou atender as orientações dos médicos dos hospitais públicos, UPAs e postos de saúde. Os alunos deverão estar o tempo inteiro de máscaras e serão orientados quanto a higienização e distanciamento social”, pontua. Há também uma preocupação com o entendimento dos alunos sobre o que será realizado – uma criança de 4 anos, por exemplo, não vai conseguir se comportar e manter o mesmo comportamento que uma de 10 anos. Para isso, a escola vai aumentar o número de funcionários em sala de aula para atender os menores e garantir espaçamento adequado entre as mesas dos mais velhos (além das demais recomendações indicadas pelas autoridades de saúde e sanitárias). O acesso à biblioteca será limitado, e os alunos não vão mais se servir em fila durante o almoço. Para evitar aglomeração no refeitório, os pratos serão entregues montados. As mesas também comportarão menos estudantes e terão divisórias. Será implantado, ainda, horário de rodízio para almoço e recreio. “Outra preocupação que estamos muito atentos é em relação à entrada e saída. Pais que venham a pé ou de bicicleta terão espaços marcados enquanto aguardam os filhos, mantendo, assim, o isolamento entre eles”, completa Ariadne.

 

No Mopi, a decisão sobre os protocolos a serem seguidos com a volta das aulas presenciais vai passar por uma avaliação técnica e pela contratação de uma consultoria. “Algumas das medidas a serem adotadas serão o distanciamento de alunos entre 1m e 2m, a restrição de pessoas que não façam parte do processo educacional somente à recepção, o controle de fornecedores que terão horários marcados para visitas e entregas, além de um novo funcionamento da secretaria, que será 100% online, e da diluição dos horários de entrada e saída”, informa Vinicius.

 

O futuro


Sobre as mudanças que vão acontecer devido ao calendário e final do ano letivo, a maioria das escolas é reticente sobre uma data específica. Porém, é preciso deixar claro que não são apenas crianças brasileiras ou de uma determinada faixa etária que estão passando por essa onda de incertezas e tiveram perdas sociais, emocionais e pedagógicas. “Crianças do mundo inteiro estão sofrendo algum tipo de impacto e não há como evitar isso. Entender e olhar o que pode ser feito ainda este ano é o melhor caminho. Aprendemos muita coisa com essa pandemia. Mas a educação não será mais a mesma. No próximo ano, nós, profissionais do ensino, teremos que fazer um trabalho muito diferente e enxergar além das séries e seus conteúdos. Passaremos a olhar para o desenvolvimento da criança de forma individual, linear e contínua, mapeando suas habilidades individuais”, conclui Ariadne.

*Priscila Correia /Clubinho de ofertas

 


terça-feira, 12 de maio de 2020

CORONAVÍRUS: PERIÓDICO DE 1918 REVELA SEMELHANÇAS ENTRE AS RECOMENDAÇÕES CONTRA A GRIPE ESPANHOLA


Policiais com máscara - Getty Images
A atual crise de proliferação do coronavírus no mundo não foi a primeira e nem a pior pandemia que o mundo já vivenciou. Um dos episódios mais caóticos foi a Gripe Espanhola, uma influenza viral que tomou o globo em 1918, sendo responsável pela morte de 100 milhões de pessoas, completando 5% da população.

Porém, assim como nos atuais, foram divulgadas dicas de proteção contra a doença na contenção da pandemia, em que médicos e sanitaristas eram consultados na medida em que o quadro se agravava. No Brasil, não foi diferente: recomendações eram divulgadas em grandes mídias na tentativa de educar a população.
Cães e gatos usavam máscaras durante a gripe espanhola
Um dos exemplos dessa prática foi a Revista O Malho (acessível em PDF por esse link), edição de número 841, de 1918, apresentou “conselhos para evitar o ataque da gripe ou influenza”, que eram, praticamente, muito próximos ao que hoje se recomenda contra o coronavírus. 

“EVITAR o uso e, com maior razão, o abuso de bebidas alcoólicas."
"LAVAR a boca e gargarejar com uma solução de sal de cozinha, na seguinte proporção: uma colher de sopa para um litro de água fervida."
"FAZER diariamente uso de uma solução de essência de canela, conforme as seguintes doses: ima colherinha das de café em meio copo de água açucarada de duas em duas horas, até desaparecer a febre, Depois tomar uma colherinha em meio copo de água três vezes ao dia."
"EVITAR aglomerações, principalmente à noite."
"NÃO fazer visitas".
"TOMAR cuidados higiênicos com o nariz e a garganta: inalações de vaselina mentolada com água iodada, com ácido cítrico, tanino e infusões contendo tanino, cmo folas de goiabeira ou outras".
"TOMAR, como preventivo, internamente qualquer sal de quinino [...]".
"EVITAR toda a fadiga ou excessos físicos".
“O DOENTE, aos primeiros sintomas, deve ir para a cama, pois o repouso auxilia a cura e afasta as complicações e contagio. Não deve receber, absolutamente, nenhuma visita".
"EVITAR as causas de resfriamento, é de necessidade tanto para os sãos, como para os doente e os convalescentes".
"AS PESSOAS IDOSAS devem aplicar-se com mais rigor todos esses cuidados”.

O texto é seguido de um pronunciamento do Cardeal Arcoverde com um apelo pelo seguimento das recomendações médicas e a confiança da população nos profissionais da saúde.
Página reproduzida / Crédito: Domínio Público
Além das receitas de produtos e remédios caseiros, as soluções de práticas cotidianas são muito próximas das atuais. A forte advertência contra aglomerações, os pedidos de reclusão e o destaque para a proteção dos idosos são tão próximos aos apelos da atual pandemia que chegam a coincidir.

Esse fato é decorrente da semelhança entre os dois agentes patológicos: ambos vírus, eles agem de formas parecidas. O coronavírus (gênero de vírus) causador da atual pandemia de COVID-19 é, especificamente, o SARS-CoV-2, gerador de uma crise respiratória aguda grave, enquanto a Gripe Espanhola foi causada por uma influenza de uma estirpe do vírus H1N1. Ambos se reproduzem rapidamente, com alta taxa de mutação, e são disseminados por fluidos das mucosas, como cuspe e remela, ou seja, são transmissíveis pela respiração.

É importante compreender que as recomendações médicas são de suma relevância na contenção de uma pandemia como a do COVID, e elas serão a base para que a disseminação dessa doença não chegue aos níveis alarmantes que chegaram a influenza de 1918. A tragédia pode ser evitada com a confiança nos profissionais, na academia e na ciência.

Peste bubônica, Tifo, Influenza A, Gripe Aviária, Cólera, H2N2... muitas foram as pandemias mundiais que foram geradas não apenas por agentes biológicos, mas principalmente pelo descaso (somado à ignorância e à falta de preocupação) que tem origem social. Longe de ser culpa unicamente da fonte originária das patologias (Infuenza na Espanha e Coronavírus na China), é necessário um esforço global em nome da saúde pública e da responsabilidade governamental.
*(OUL/HA)

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Reflexões em tempo de quarentena 3

Imagem ilustrativa

Divagando sobre o Apocalipse em época de corona…

Eu sempre fui pré tribulacionista (aqueles que acreditam que a volta de Cristo acontecerá antes das “dores” finais), fã da saga Deixados para trás, ou talvez eu torcia pra ser. Hoje eu estou mais pra midi tribulacionista (que acredita que os crentes sofrerão tb um tempo antes da volta de Cristo e depois “os dias seriam abreviados senão ninguém suportaria”).

Suponhamos que este seja o começo “das dores” (o que não dá pra saber é claro, pois já houveram períodos com pandemias, guerra, etc assim ou até piores na história), e que comece a surgir a figura de um líder mundial. Os crentes atentos começarão a confirmar os sinais descritos na Bíblia e penso que e daí sim que vão se mobilizar com mais vigor para que o evangelho chegue nos confins da terra, chegando então a tão aguardada volta de Cristo.

O fato é que enquanto a gente acha que a volta de Cristo está longe de nossa geração, que tudo está bem, a gente entra num estado de conforto, e tenho a impressão que é preciso um empurrãozinho de Deus, pra que a gente acorde e se mobilize, que se lembre que Ele vai voltar (seja agora ou daqui ha muitos anos ainda). Parece que de tempos em tempos precisamos desse despertar. E o fato é que uma hora, em um desses momentos será realmente o começo da tribulação. Será agora? Não, sei, ninguém sabe. O que sei é que tenho que estar preparada pois Ele virá!
Imagem ilustrativa
* Uma observação: Deus não manda esse tipo de catástrofe pra que as pessoas se voltem pra Ele, Ele não é malvado e sádico. Essas catástrofes são nada mais nada menos que consequências do pecado e dos atos humanos, mas sim, Ele permite essas situações, pois tem seus propósitos.
(A inconformada)


Reflexões em tempo de quarentena 2


Imagem ilustrativa
Não tem como não ficar nostálgico nesta época que estamos vivendo.

Eu fico pensando, será que vou perder alguém querido, será que eu serei uma das vítimas dessa Pandemia?

Bom fato é que se for a minha hora o meu sentimento é de gratidão, porque Deus me deu muito mais do que eu merecia, pensava ou imaginava. Realizou os meus maiores sonhos e eu não podia ter sido mais feliz, com a família que ele me deu, amigos, sustento, lazer e claro, perdão dos meus pecados e salvação em Jesus Cristo. Mas além deste sentimento me vem um sentimento ruim: eu não fiz tudo que devia ter feito pra anunciar a Salvação de Jesus Cristo, não tem como não ter esse sentimento. Mas o negócio é que eu não sei se vou morrer, se eu sobreviver espero sair mais da minha zona de conforto e fazer mais pelo Reino, sabendo que Ele em breve vem! E se eu morrer… Peço perdão a Deus por todo o meu egoísmo, por toda a minha preguiça e os meus julgamentos que me fizeram simplesmente paralisar.
(A inconformada)



Reflexões em tempo de quarentena 1

Imagem ilustrativa
Nós os crentes pedimos a volta de Jesus, e isso será maravilhoso mesmo. Mas a gente sabe o que antecederá a volta de Cristo.

Este pode não ser o Apocalipse (embora tá parecendo o começo dele), mas nos deixa pensativos: estamos preparados pra volta de Cristo? Estamos preparados pra aceitar o mal e não somente o bem? Estamos preparados pra ter que fugir pras montanhas, deixar nosso conforto, não negar a Jesus? Acho que a maioria de nós não está. Que Deus tenha misericórdia de nós e abrevie a Sua vinda.
(A inconformada)

terça-feira, 28 de abril de 2020

“Professores terão que mudar seu jeito de ensinar depois da quarentena”


Andreas Schleicher, principal responsável do relatório PISA da OCDE, considera que o custo social do fechamento das escolas pela pandemia é dramático
Andreas Schleicher (Hamburgo, 55 anos), diretor de Educação da OCDE e principal responsável pelo relatório PISA ―que mede o nível de conhecimento dos alunos de 15 anos de 75 países em ciências, matemática e leitura― acredita que a pior consequência do fechamento das salas de aula pelo coronavírus é o desaparecimento durante meses do maior igualador social: a escola. Na sua opinião, é o único lugar onde todas as crianças recebem o mesmo tratamento, independentemente da situação pessoal que cada um tenha em casa. “Ali veem outra forma de pensar, de agir e até de andar… Aprendem o conceito de responsabilidade social.” Por isso, seu maior medo é de uma fratura da “fábrica social” em que os colégios se transformaram.

Pergunta. Um dos últimos estudos da OCDE indica que um em cada 10 estudantes não têm uma mesa de estudos em casa. Qual é a melhor solução para os alunos mais desavantajados? É passar de ano com o resto de seus colegas?

Resposta. É uma pergunta complicada. Acho que fazer os jovens repetirem o ano é provavelmente a pior solução, porque, além de perder um ano, vai estigmatizá-los. Os sistemas educacionais devem encontrar a forma de redobrar seus esforços e analisar como os alunos com menos recursos em casa podem continuar aprendendo. Há uma grande espera depositada nos professores, e são eles os que têm de agir como mentores, inclusive dos trabalhadores sociais, e se manterem em contato permanente com seus alunos.

P. Pode ser problemático que em setembro [início do ano novo letivo na Europa, após a atual quarentena] as salas de aula se encontrem com uma proporção elevada de alunos que não assimilaram bem os conhecimentos do curso anterior?

R. Em setembro o ambiente de aprendizagem e o ambiente das salas de aula serão mais diversos que em qualquer outro ano. Haverá alunos que voltarão entusiasmados, com muitas aprendizagens on-line que os terão enriquecido, graças ao apoio de suas famílias. Outros chegarão desmotivados, e esse é o desafio: aumentar o reforço escolar para essas crianças.

P. A reabertura das escolas ocorre a diferentes velocidades na Europa. Os especialistas insistem em que a cada mês a desigualdade cresce exponencialmente.

R. O custo social do fechamento das escolas é dramático. Diferentes pesquisas mostram que não é a cada mês, e sim a cada dia. Inevitavelmente, a lacuna de desigualdade vai aumentar, e precisamos encontrar fórmulas para mitigá-la: os alunos terão que dedicar mais horas ao estudo, será preciso envolver as famílias… Não há uma resposta clara. As famílias com mais recursos poderão compensar com aulas extracurriculares pagas do seu bolso. O que as famílias querem para seus filhos é o que o Governo terá que assegurar para todos.

P. Levando-se em conta a crise econômica que está começando, é realista pensar que os Governos vão priorizar o orçamento educacional para assegurar esse reforço?

R. O futuro dos nossos países depende da educação; as escolas de hoje serão a economia de amanhã. Desde que começou a pandemia, o caso da China me impressionou. Uma das suas prioridades foi a educação. O Governo lançou uma plataforma gratuita de aprendizagem na nuvem com 7.000 servidores e 90 terabytes de banda larga, que permite que 50 milhões de alunos se conectem simultaneamente. Apostar na educação é uma decisão que toda nação deveria tomar.

P. É uma questão de dinheiro ou de vontade política?

R. Efetivamente, essa medida custou muito dinheiro, e grande parte dele foi doado por companhias tecnológicas. Há dois pontos de partida que são importantes. Desde o primeiro dia, todos os professores na China se envolveram com o uso dessa plataforma. Não se limitaram a dizer aos alunos que a usassem, como, além disso, telefonaram diariamente para eles a fim de entender claramente suas necessidades. Prestou-se muita atenção aos alunos sem possibilidade de acessar a Internet, que receberam livros didáticos e materiais, dentro de um plano organizado pelas escolas.

P. Por que em países como a Espanha e a França não se tentou lançar esse tipo de plataformas, se as já existentes não têm capacidade suficiente?

R. O Governo espanhol tem feito um grande esforço para usar ferramentas digitais e tem agido bem na busca por aliados da indústria tecnológica. Acredito que o mais difícil para eles tenha sido envolver os docentes, é aí onde provavelmente os esforços devem ser concentrados, em conseguir que os professores sejam parte ativa nesta mudança. O ensino on-line será crucial no futuro do ensino, os professores deveriam se esforçar mais.

P. Qual é sua recomendação para que o trabalho nestes dias seja eficiente?

R. Como professor, neste momento você não tem como resolver os problemas sozinho, só em equipe. Nisso a Espanha tem muito trabalho a fazer. Segundo os resultados do relatório Talis, os docentes espanhóis estão entre os que menos colaboram entre si, trabalham de forma isolada em sua sala de aula. Só 24% declaram participar de uma rede de colaboração para desenhar planos de docência ou compartilhar material pedagógico, frente aos 40% de média dos países da OCDE. É importante respeitar a autonomia dos docentes, mas neste momento é preciso fomentar a cultura colaborativa e não estar esperando instruções dos Governos, e sim assumir a responsabilidade da situação e contatar colegas para lançar medidas inovadoras. Os líderes de cada escola têm que se conectar aos professores, criar comunidades e comitês entre diferentes colégios. Um dos resultados do PISA é que 50% dos professores em escala mundial não se sentem cômodos com o ensino digital.

P. Os dados do Talis dizem que apenas 59% dos diretores desenvolvem ações para conseguir a colaboração entre docentes. Quem deve mandar essa mensagem?
R. A crise amplifica a necessidade de estarmos conectados. Essa mudança deve partir da própria comunidade educativa. Os bons líderes não estão nos gabinetes decretando ordens, estão envolvidos na solução, de forma ativa. O Governo afinal está muito longe de ter um efeito sobre o que acontece nas salas de aula. Os professores na Espanha continuam muitos dependentes do que a Administração dita.

P. Os docentes deverão modificar sua forma de ensinar em setembro?

R. Absolutamente. O grande preço que vamos pagar pela crise não é só a perda de aprendizagem, e sim os jovens afetados pela insatisfação, pela decepção e que perderam sua confiança no sistema educativo. [As escolas] terão que escutar mais, detectar a necessidade de cada um e desenhar novas formas de aprendizagem para se encaixar em diferentes contextos pessoais. Não se pode voltar como se nada tivesse acontecido.

P. Como se deve avaliar durante o confinamento?

R. Devemos realizar a máxima avaliação possível. Educação e avaliação andam de mãos dadas. Quando você está na escola, sabe como cada estudante está evoluindo, mas, quando não os vê dia a dia, é preciso usar ferramentas on-line para ver se ele está aprendendo. Sou muito otimista e acredito que podemos ser muito criativos com novos formatos de avaliação.

P. Deve-se manter a avaliação nestes meses de confinamento, ou focar o apoio emocional?

R. Talvez seja preciso mudar a natureza da avaliação, mas insisto em que é importante mantê-la para poder acompanhar a evolução do aluno. Se não fizerem isso, os professores se tornarão cegos, e também é uma forma de conseguir que os alunos não se desconectem.

P. Você criticou que não haja uma maior colaboração público-privada para confrontar a crise educativa pela covid-19.

R. A inovação educacional exige a colaboração entre o público e o privado, e na Espanha há uma cultura de confrontação entre o público e o privado. Parece que a educação é só coisa do Governo, e é preciso que a sociedade se envolva e contribua com ideias criativas. As empresas também têm que tomar partido e propor soluções, por exemplo, para as práticas dos alunos de Formação Profissional. O futuro do país depende de como se administre esta crise educativa.
*(Blog transformação e educação)


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Opinião: Alienação Voluntária


Imagem: reprodução
Cada vez encontro mais pessoas que assumem que estão a um passo da alienação voluntária. Que abstraíram-se ou estão seletíssimas no que ouvem e leem. São aqueles que outrora eram "politizados", que opinavam e se colocavam.

Não que deixaram de ter opinião, mas simplesmente não querem mais emiti-las. Cansaram. Uma aparente desistência. Estão dentro de suas casas e nas casas dos seus, comunicando-se através de uma linguagem própria, como que concluindo: não tem mais jeito.

As justificativas são variadas: desilusão com a política institucional, decepção com os que diziam ser o governo do povo combinado com o susto do crescimento de figuras e posturas de um conservadorismo podre defendido até gente de convívio próximo, dentre outras tantas.

A violência real que mata uma geração e coloca o Brasil com números de homicídios comparáveis a países em guerra, sela a opção destes novos alienados, mas agora por vontade própria. Até um acréscimo no número de casos de suicídio percebemos, e o pior que entre os jovens, esperançosos naturalmente.

Essa indiferença talvez seja a mais cruel face da crise de toda ordem que vivemos, porque resulta de um pensamento lógico construído e conclusivo.

Os filósofos do pessimismo tomam vida mais uma vez através do seu pensamento que se faz presente. Thomas Hobbes está em alta: "O homem é o lobo do homem, em guerra de todos contra todos." Como não, em várias situações cotidianas no Brasil de hoje, concordar com esse inglês do século XVII? E o Schopenhauer que entende que "O mundo é a minha representação." e de tal forma denuncia que neste mundo de representação as coisas têm existência meramente relativa. E ainda podemos citar o Doutor da Igreja Santo Agostinho, ao compreender que o fundador da Cidade Terrena foi o fraticida Caim, e, portanto, por aqui, não temos jeito a dar porque o vício impera. O que mais nos resta? De onde fazer renascer a esperança? Da arte! Mas até a arte está na mira do conceito monopolizador. Todavia,  ela, a arte, resiste bravamente, nem que amargamente, entre poucos, aqueles poucos, que declamam com a melancolia poética de Augusto dos Anjos: "Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja."

Vanilo de Carvalho, advogado, professor universitário, especialista em Direito Constitucional, mestre em Direito Internacional, conselheiro da Ordem dos Advogafos do Brasil, membro da Comissão Nacional do Exame de Ordem (Brasília) membro do Instituto Ph, membro da Academia Brasileira de Cultura Jurídica, Cavaleiro da Ordem de Malta (Roma), membro da Comissão de Justiça e Paz (vinculado à CNBB), escritor, analista político-social, educador jurídico.