segunda-feira, 7 de março de 2022

Por que os políticos aparecem só para pedir voto?

 

Nos últimos dias, tenho visto como os parlamentares estaduais tem trabalhado muito. Mas, você já sabe o motivo de tanto trabalho. È que chegou o momento de pedir voto, aparecer para população que eles estão trabalhando em prol da sociedade. Será.

 

Agora o eleitor só será lembrado daqui a quatro anos.

 

Chegando novamente as eleições começa tudo novamente-Visitas tapinhas nas costas e também aquela frase que marca o político. “Pode contar comigo para o que for preciso“. Isto em véspera de eleição. Passado a eleição à maioria dos eleitos foge dos eleitores.

 

Bom.., você provavelmente nunca ouviu falar de Sólon, político grego que deu seu último suspiro há mais de 2 mil anos. Mas deveria. Sólon é considerado um dos pais da democracia porque decidiu que os postos mais importantes do governo deveriam ser ocupados apenas pelos cidadãos mais ricos.

 

Não, você não leu errado, é isso mesmo: quanto mais alto fosse o cargo, mais dinheiro precisava ter o sujeito que quisesse ocupá-lo. Não parece o sistema mais democrático do mundo (e não é), mas antes disso os cargos políticos passavam praticamente de pai para filho, e nem mesmo os “milionários” da velha Atenas podiam participar do governo se não ostentassem um sobrenome importante.

 

Na teoria, o sistema de Sólon pelo menos dava a qualquer um a oportunidade de governar, bastava enriquecer fabricando toneladas de azeite de oliva ou vendendo milhares de miniaturas das esculturas de Zeus por $ 1,99. Mas, na prática, o governo continuava formado por meia dúzia de homens brancos endinheirados, exatamente como era antes.

 

De lá para cá, quase tudo mudou: Galileu (o original) foi condenado por afirmar que a Terra girava ao redor do Sol; Edison inventou a lâmpada elétrica; o direito ao voto tornou-se universal; e a Seleção Brasileira levou sete gols da Alemanha na Copa do Mundo. Mas pelo menos uma coisa continua quase igual: com algumas honrosas exceções, o governo ainda é basicamente formado por meia dúzia de homens brancos endinheirados.


 Você lembra em quem votou nas últimas eleições para deputado e senador? Se a resposta foi não, isso explica porque os políticos também só aparecem na época das eleições. Porque o eleitor brasileiro não costuma acompanhar os candidatos em quem votou ao longo do mandato e isso está em uma pesquisa realizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 

 

 

domingo, 27 de fevereiro de 2022

HIPOCRISIA – a arte de exigir dos outros aquilo que não se pratica

 

Os jogos começaram, a cada 4 anos a velha política sai da toca para as custas de artilharia pesada de calunias e difamações tomar o poder de assalto (de assalto literalmente rsrsrs). Como a gente sempre diz: “essa velha política nós tiramos de letra”. E porque temos essa tranquilidade no enfrentamento desse período eleitoral?: porque a nossa postura é outra, a postura de quem se ampara em resultados, em melhorias, coisas que podem ser vistas e comparadas...esse é o diferencial cada vez mais exigido dos políticos e gestores públicos.

 

Infelizmente os nossos adversários políticos não possuem a mesma postura, ao invés de mostrar suas obras e conquistas, preferem os escombros sórdidos das redes sociais para tentar de alguma forma se esgueirar sorrateraimante ao poder, para novamente levar o nosso município ao estado lastimável que todos já conhecem e lembram bem como encontramos.

 

Só para refrescar nossa memória, todos lembram dos anos obscuros em que Martinópole mergulhou recentemente, sempre envolvida em desvios, descasos, escândalos e mau caratismo, alguém ai já se esqueceu dos ....

 

Pois bem...esses mesmos que agora munidos de toda hipocrisia se acham no direito de cobrar e apontar aquilo que nunca fizeram:  


Sim...nós entendemos suas frustrações, no lugar de vocês também estaríamos desconfortáveis diante das conquistas dos desafetos políticos: deve ser frustrante ver que com menos funcionários, com a crise econômica e com todas as adversidades a cidade foi transformada, as secretarias estão de “vento em popa”, gerindo impecavelmente seu recurso, construindo, reconstruindo e transformando. Que simplesmente se reconstruiu o município, aquele mesmo município que foi entregue da forma mais precária que se poderia imaginar. Que não se perde mais verbas, que não se desperdiça recursos, que a olhos vistos pode se conferir o fruto do trabalho de uma equipe unida, capacitada, qualificada e gerida por um homem do interior que mostrou sua competência logo no primeiro mês de gestão...ao dar conta de reconstruir com maestria a destruição deixada como legado desse mesmo grupo político que hoje começa a botar as manguinhas de fora.,,

 

 (http://etceteraomnia.blogspot.com/)


Por que o Brasil continuará sendo um país corrupto

 

Porque já as eleições dos “nossos” representantes são realizadas de modo a institucionalizar o crime, pois os grupos econômicos, ao patrocinarem a eleição de Presidente, Governadores, Prefeitos etc., assim o fazem, como é natural, sob a condição de obterem financiamentos graciosos, participarem de licitações premiadas, privatizarem o espaço público, multiplicando lucros;

 

Porque num tal contexto, a política passa a constituir extraordinário atrativo para criminosos profissionais, em geral burocratas medíocres, desqualificados moral e tecnicamente, sem perspectiva fora da política;

 

Porque certos partidos políticos passam a funcionar, assim, como autênticas quadrilhas, cujos membros seguem a lógica do quem dá mais, por isso que trocam de legenda constantemente, impunemente;

 

Porque o sistema representativo é um engodo que conta com a participação do próprio eleitor, que não raro exige, em troca do voto, algum proveito, de modo que o voto constitui, por isso, apenas um expediente para legitimar e perpetuar o crime, afinal os eleitos não representam o eleitorado, mas os seus próprios interesses e os interesses dos grupos econômicos que os patrocinam;

 

Porque, apesar das fraudes, insistimos em perpetuar determinados criminosos no poder, e a tudo assistimos passivamente;

 

Porque a Polícia, que deveria, junto ao Ministério Público, formar instituição única, está subordinada ao Poder Executivo, de sorte que são prováveis investigados (Governadores, Prefeitos etc.) que em última análise comandam as investigações;

 

Porque criminosos políticos estão protegidos por um sem número de privilégios (foro privilegiado, imunidades parlamentares etc.) que os tornam grandemente imunes às investigações;

 

Porque a corrupção política traduz a nossa própria hipocrisia, a nossa indiferença, a nossa tendência ao jeitinho; afinal, corrupção é de algum modo interação/acordo entre corruptor e corrompido, entre eleitor e eleito;

 

Porque somos obrigados a votar, quando votar é um direito e não um dever, pois o eleitor tem, há de ter, a liberdade de votar em quem quiser, quando e se quiser, consciente e livremente;

 

Porque a democracia, essa desgastada metáfora, é uma palavra que remete a múltiplas relações de poder que nada têm de democráticas, relações frequentemente de violência e tirania e permanentemente em mutação (Michel Foucault);

 

Porque punir criminosos, embora necessário, não é o mais importante; o mais importante consiste em identificar as estruturas de poder que possibilitam o crime e mudá-las radicalmente, pois problemas estruturais demandam intervenções também estruturais e não apenas intervenções sobre indivíduos;

 

Porque insistimos em preservar instituições absolutamente desnecessárias: Senado Federal, Câmara Distrital etc;

 

Porque, em vez de enfrentar os problemas em suas causas, em suas raízes, tentamos combatê-las em suas consequências, tardia, burocrática e simbolicamente; e isso equivale a não combatê-las;

 

Porque temos um Estado excessivamente burocrático, que tudo pretende resolver por meio de leis, demagogicamente;

 

Porque multiplicar leis não significa evitar novos crimes, mas multiplicar novas violações à lei (Beccaria); e as leis desnecessárias enfraquecem as leis necessárias (Montesquieu);

 

Porque mais leis, mais juizes/tribunais, mais conselhos, mais prisões etc, pode significar mais presos, mas não necessariamente menos delitos (Jeffery);

 

Porque o povo brasileiro acredita ser livre, mas está enganado: é livre apenas durante as eleições dos membros do Executivo e do Parlamento, pois, eleitos os seus membros, ele volta à escravidão, é um nada (Rousseau); é que a participação popular se limita ao sufrágio a cada quatro anos; mas eleitos “seus” representantes, não se tem qualquer controle sobre seus atos, e o cidadão, convertido em objeto e não sujeito da política, só poderá expressar sua indignação nas eleições seguintes; 

O Brasil é e continuará sendo um país corrupto simplesmente porque está estruturado para sê-lo!

 

Paulo Queiroz é Professor Universitário (UniCEUB) e Procurador Regional da República em Brasília

 

 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

MENSAGEM: Tipos de professores

 Olá, coordenadores, diretores e supervisores!

O Blog Atividades Itinerantes preparou uma mensagem reflexiva para ser apresentada na primeira reunião pedagógica do ano letivo, e o Blog Atualidade em Debate reproduz aqui para você. Ela promove uma autoavaliação no que tange o comportamento ético/profissional dentro da instituição de ensino, além de finalizar valorizando o bom profissional. Leiam:




























terça-feira, 23 de novembro de 2021

Paternalismo

 

Um tipo de prática que vai contra o desenvolvimento das instituições democráticas - Imagem: reprodução.

Ao viver no regime democrático, muitos acreditam que a escolha dos representantes políticos deve estar atrelada a um processo de identificação sincero entre um candidato e seus possíveis eleitores. Nesse contexto, a vitória de um determinado representante político seria a consequência natural de uma ideologia e de um projeto político que vencem as eleições ao melhor que atender aos anseios da população.

 

Apesar de toda a coerência perceptível nesse tipo de situação, observamos que o desenvolvimento das práticas políticas não ocorre somente dessa forma. Quantas e quantas vezes não vemos alguém professando o seu voto em algum político como uma retribuição a um favor anteriormente atendido? É nesse tipo de situação que observamos uma clara manifestação do chamado paternalismo político.

 

A prática paternalista acontece geralmente quando um candidato ou governante oferece um favor em troca de algum outro benefício. Dessa forma, ao invés de representar honestamente apenas o interesse daqueles que o elegeram, o político abusa do poder que tem em mãos para se perpetuar em cargos ou atingir outras metas. Em suma, vemos que a relação de representatividade perde amplo espaço para as simples relações de troca.

Geralmente, o paternalismo acontece em países ou regiões em que as condições de vida da população está carcomida por graves problemas. Aproveitando dessa situação, o político facilmente atinge seus objetivos ao conceder favores que usualmente resolvem de forma paliativa os dilemas daquele grupo social. Com isso, a realização de projetos de grande transformação se anula pela tentação de soluções imediatistas.

 

Em muitas situações, observamos que os políticos paternalistas são venerados como “homens fortes”. De fato, a sua força gira em torno de atrair o apoio irrestrito de eleitores que não veem mal em eleger alguém que “rouba, mas faz”. Atualmente, o aprimoramento das leis, a educação e aplicação de políticas sociais consistentes são vistos como soluções para que o paternalismo e seus representantes percam força.

(Mundo Educação)

Por Rainer Sousa -Mestre em História

 

 

 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Educação e Sociedade

 


A sociedade requer um ensino voltado para a carreira escolar. Em geral, não interessa se a educação torna nossos filhos melhores homens e mulheres, indivíduos mais conscientes sobre a realidade social, sobre os dilemas que a vida impõe. Não. Quer-se simplesmente que a escola prepare para ter sucesso no vestibular. E o mesmo raciocínio vale para muitos dos que conquistam a vaga no ensino superior. Pouco importa o mundo ao seu redor, desde que não atrapalhe os planos individualistas de ganhar mais dinheiro e ter uma carreira de sucesso. A universidade forma indivíduos cada vez mais descomprometidos social e politicamente com a comunidade, a sociedade e o mundo em que vivem.

(Antonio Ozaí)

 

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Como será a volta às aulas? Quatro escolas respondem a questão que preocupa pais, professores e funcionários das instituições de ensino infantil

 

A volta às aulas continua uma incógnita em todo o país. Enquanto os governantes não entram em comum acordo sobre quando as escolas serão reabertas, pais e responsáveis se perguntam como será quando os filhos tiverem que retornar às aulas presenciais. Haverá distanciamento de fato? Quais protocolos as escolas vão seguir? Haverá a possibilidade de manter os estudos online para os que não quiserem as crianças em salas de aula, enquanto durar a Pandemia?

 

As dúvidas são muitas. Se de um lado, o retorno às salas de aula é necessário para que os pais possam trabalhar, há uma parcela que prefere que os filhos percam o ano escolar a correrem o risco de contágio. Em um post sobre o assunto no Instagram da coluna, o @Aventuras Maternas foram mais de 250 comentários de responsáveis temerosos por este retorno.

 

Para conseguir respostas, 15 escolas foram consultadas, com diferentes classes sociais e perfis, sejam focadas apenas no Ensino Infantil, sejam especializadas na Educação a partir do Fundamental I. Apenas quatro responderam. A maioria ainda está em fase de estudo, aguardando protocolos municipais ou recebendo especialistas para ter um posicionamento científico e oferecer aos pais respostas sobre como farão para evitar aglomerações e manter medidas de segurança para alunos e funcionários.

 

O escritor, pesquisador e consultor em Gestão da Educação Renato Casagrande, do Instituto Casagrande, acredita que, caso aconteça o retorno das escolas, o cenário será bastante complexo.

 

“Primeiro porque nem todos os alunos voltarão, já que muitos pais vão se recusar a mandar os filhos para a escola por uma questão de precaução ou pelo fato das crianças conviverem com pessoas que pertencem ao grupo de risco. Ou seja, teremos uma escola incompleta. O segundo ponto é que as escolas precisarão estar muito equipadas com EPI’s e também com um protocolo de higiene e saúde, o que vai exigir investimento e muita cautela no recebimento e na acolhida desses alunos. Serão necessárias mais pias sanitárias, mais lavatórios espalhados pelo ambiente escolar, assim como álcool em gel e máscaras disponíveis para os alunos, professores e demais funcionários, além de cuidados com a troca de calçados, higienização dos mesmos, garantia do distanciamento entre um aluno e o outro etc. As salas de aula também terão que ser reestruturadas, os espaços físicos deverão passar por mudanças para o atendimento seguro de todos. Há ainda um terceiro fator que são professores do grupo de risco, que não voltarão às aulas. Portanto, além dessa infinidade de adequações, nem todos os professores e funcionários da escola poderão estar presentes. E mais um ponto, mas não menos importante: as escolas geralmente têm poucos inspetores. Então, a contenção dos alunos no espaço geral, principalmente nos intervalos, precisará de muito cuidado, já que os estudantes, principalmente quando não estão em sala de aula, querem conversar, brincar e interagir”, esclarece.

 

E não são apenas os pais que estão com dúvidas sobre o futuro. As escolas, assim como precisaram se reinventar com o anúncio da pandemia, também vão passar por mudanças para continuar/terminar o ano letivo. O Mopi, por exemplo, está construindo uma estrutura para que os alunos continuem estudando de casa, se os pais preferirem, mesmo depois do retorno das aulas presenciais. “A escola virou a chave para transformar a experiência do aluno de presencial para digital desde 16 de março. Dois dias depois do decreto da pandemia, a estrutura estava toda pronta. E como a escola respondeu muito bem à virada para o online, o impacto no planejamento foi muito pequeno. Muitos alunos estão se adaptando bem e elogiando. Mas o futuro vai depender dos números da Covid-19 e dos poderes governamentais”, explica Vinicius Canedo, diretor executivo do Mopi. “Mas é bom deixar claro que, como alguns pais estão literalmente com medo dos filhos voltarem para a escola e vão ficar mais confortáveis se eles ficarem só no modelo on-line, vamos manter o braço não presencial”, complementa.

 

Outra escola que está alinhando mudanças é a Maple Bear – a escola fez uma pesquisa com os pais e 67% gostaria de, mesmo após o retorno às aulas presenciais, ter a opção das aulas online até se sentirem mais seguros. “Temos crianças que, inclusive, fazem parte do grupo de risco por questões de saúde. Acredito que entender a necessidade dos pais e construir juntos esse momento de retomada é a melhor solução. Estamos nos preparando para oferecer as aulas remotas mesmo após a reabertura da escola. O retorno deve ser gradual e com um ensino presencial e remoto”, comenta Ariadne Tabosa, professora e administradora da unidade Freguesia da instituição.

 

Já na Espaço Kids Creche Escola, em Jacarepaguá, a diretora Priscila Aguiar conta que um informativo será enviado para os pais a fim de que orientem as crianças sobre como serão as aulas presenciais. Entre as estratégias a serem implementadas, está a de manter carteiras afastadas e fazer marcações no chão com fita crepe para que os alunos sentem sempre afastados. Quanto às trocas de carinhos, será na conversa, de forma lúdica, mas com muita fiscalização. Mas faz um adendo: como na educação infantil não há reprovação e nem controle de faltas, os pais que preferirem manter seus filhos em casa terão a opção de voltar quando acharem mais adequado. “Daremos a eles o suporte em vídeo e estaremos abertos para recebê-los quando quiserem, dentro das normas de segurança do Conselho Regional de Educação”, esclarece.

 

Também sem a proposta de aulas virtuais na retomada, Renata Reis Transcoveski, diretora do Colégio Ludolf Reis, em São João de Meriti, explica que o fato de já trabalharem com poucas crianças em sala será um grande facilitador. “Nossas professoras da Educação Infantil e Fundamental já estão trabalhando, através das aulas on-line, a conscientização por meio de histórias e “Rodinhas de conversa”, onde explicam que por enquanto os abraços e o tocar vão ter que esperar um pouquinho”.

 

Outra preocupação de pais e educadores é sobre como as escolas vão lidar com as crianças menores nesse retorno. “A volta às aulas com os pequenos é um grande desafio, até porque menores de 2 anos não devem usar máscaras. Eu diria que todo professor passará a ser uma agente de saúde na escola, com um protocolo muito rígido em relação à higiene. Além disso, as crianças encontrarão um espaço diferente na escola em que não poderão ter o contato físico. Imagine uma criança chorando porque caiu e o professor receoso de pegar essa criança no colo? Por esses e outros fatores será muito complexa a volta dos pequenos. Embora seja preciso, sabemos que será um desafio muito grande esse retorno”, lembra Renato Casagrande. E ele vai além: “Ainda sobre essa questão do contato físico, acredito que antes das crianças pequenas voltarem à escola, precisa ser feito um trabalho muito forte com os pais, a fim de orientar os filhos sobre a nova realidade da escola. Cabe às famílias explicar que eles não podem chegar na escola e abraçar os colegas. Os pais não podem esperar que o professor oriente isso, porque a criança pequena não entenderá. Simplesmente porque, hoje, dentro de casa, ela está tendo contato físico com os irmãos, com o abraços dos pais, e na escola, que é o segundo espaço de convivência mais importante para ela, não manterá esse contato. É muito importante que as escolas já orientem as famílias para conscientizarem essas crianças para que elas não sejam tão surpreendidas com um espaço escolar muito longe daquilo que elas viram quando se afastaram da escola”.

 

O que muda, na prática, no dia a dia dentro da escola


Alguns pais têm se perguntado sobre quais os cuidados que as escolas passarão a ter com o retorno às aulas, caso não possam manter os filhos em casa. Na Maple Bear, os protocolos de segurança a serem adotados serão divididos em três grupos: visitantes estranhos à rotina da escola e fornecedores, visitantes pertencentes à rotina (pais e responsáveis) e colaboradores, e alunos. “Dentro desses protocolos existem subdivisões, para garantir que estamos olhando com toda a atenção possível a cada situação que poderemos viver. Uma das decisões foi suspender as visitas presenciais para conhecer a escola. Para esses pais e responsáveis, será ofertada uma visita virtual, evitando ao máximo a entrada de pessoas que não necessitem estar no interior da escola. Os fornecedores também não poderão mais entrar. Receberemos as encomendas na porta, com o pessoal de apoio cumprindo todas as normas sanitárias, e só depois esse material será disponibilizado para uso. Dentro do protocolo de colaboradores, daremos atenção especial para aqueles que se locomovem de transporte público. O protocolo de higienização e segurança será bastante rigoroso para o acesso ao interior da edificação. Limpeza de calçados, guarda de bolsas em local separado, higienização de mãos e de roupas com álcool 70 spray. Todos precisarão medir a temperatura antes de ingressar na escola, sem exceção. Aqueles que acusarem febre serão orientados a retornar para casa e entrar em contato com o seu médico ou atender as orientações dos médicos dos hospitais públicos, UPAs e postos de saúde. Os alunos deverão estar o tempo inteiro de máscaras e serão orientados quanto a higienização e distanciamento social”, pontua. Há também uma preocupação com o entendimento dos alunos sobre o que será realizado – uma criança de 4 anos, por exemplo, não vai conseguir se comportar e manter o mesmo comportamento que uma de 10 anos. Para isso, a escola vai aumentar o número de funcionários em sala de aula para atender os menores e garantir espaçamento adequado entre as mesas dos mais velhos (além das demais recomendações indicadas pelas autoridades de saúde e sanitárias). O acesso à biblioteca será limitado, e os alunos não vão mais se servir em fila durante o almoço. Para evitar aglomeração no refeitório, os pratos serão entregues montados. As mesas também comportarão menos estudantes e terão divisórias. Será implantado, ainda, horário de rodízio para almoço e recreio. “Outra preocupação que estamos muito atentos é em relação à entrada e saída. Pais que venham a pé ou de bicicleta terão espaços marcados enquanto aguardam os filhos, mantendo, assim, o isolamento entre eles”, completa Ariadne.

 

No Mopi, a decisão sobre os protocolos a serem seguidos com a volta das aulas presenciais vai passar por uma avaliação técnica e pela contratação de uma consultoria. “Algumas das medidas a serem adotadas serão o distanciamento de alunos entre 1m e 2m, a restrição de pessoas que não façam parte do processo educacional somente à recepção, o controle de fornecedores que terão horários marcados para visitas e entregas, além de um novo funcionamento da secretaria, que será 100% online, e da diluição dos horários de entrada e saída”, informa Vinicius.

 

O futuro


Sobre as mudanças que vão acontecer devido ao calendário e final do ano letivo, a maioria das escolas é reticente sobre uma data específica. Porém, é preciso deixar claro que não são apenas crianças brasileiras ou de uma determinada faixa etária que estão passando por essa onda de incertezas e tiveram perdas sociais, emocionais e pedagógicas. “Crianças do mundo inteiro estão sofrendo algum tipo de impacto e não há como evitar isso. Entender e olhar o que pode ser feito ainda este ano é o melhor caminho. Aprendemos muita coisa com essa pandemia. Mas a educação não será mais a mesma. No próximo ano, nós, profissionais do ensino, teremos que fazer um trabalho muito diferente e enxergar além das séries e seus conteúdos. Passaremos a olhar para o desenvolvimento da criança de forma individual, linear e contínua, mapeando suas habilidades individuais”, conclui Ariadne.

*Priscila Correia /Clubinho de ofertas