quarta-feira, 24 de maio de 2017

OS “BONS BANDIDOS”



É conhecido de todos o fato narrado na Bíblia sobre a crucificação de Jesus entre dois ladrões. Um deles, em dado momento, compadeceu-se da dor de Cristo e reconheceu sua inocência, repreendendo o outro, que fazia pilhéria. A tradição católica o chamou de Dimas, o “bom ladrão”.

Na visão soteriológica (estudo da salvação da humanidade), ele seria o único com a garantia da salvação, pois Jesus lhe disse: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”.

Trago o exemplo de são Dimas, aquele que se arrependeu no momento final, numa analogia com o debate ideológico existente hoje em nosso país. Sob o pretexto de “varrer” a corrupção, deram um golpe na democracia para retirar a presidente Dilma Rousseff. Vimos a classe média revoltar-se e bater panelas, contagiando com seu ódio até setores populares. Mas nada como um dia após o outro…

Os fatos recentes comprovam que as medidas de combate à corrupção adotadas nos governos Lula e Dilma resultaram no fortalecimento e independência das instituições de controle, sem os quais a Lava Jato nem sequer existiria. A lista é longa: criação da Controladoria Geral da União, transformação da corrupção em crime hediondo, aumento da pena para corruptos, garantia de autonomia à Polícia Federal, nomeação do procurador geral da República escolhido pelo Ministério Público Federal, entre outras.

É com esta independência que, agora, tentam condenar um inocente. O motivo: o triplex no Guarujá, que não se provou ser de Lula, foi ironizado até por Paulo Maluf, tradicional político de direita, para quem o apartamento equivale a três do Minha Casa, Minha Vida. A fragilidade da acusação foi identificada pela juíza Maria Priscilla Ernandes, da Quarta Vara Criminal de São Paulo, que arquivou o caso por conter “alegações vagas” e erros. Ao juiz Sergio Moro, setenta e duas testemunhas confirmaram a inocência de Lula. De nada adiantou.

E quanto aos paladinos do combate à corrupção? Não faltam escândalos envolvendo próceres tucanos e de outros partidos. Lembremos, por exemplo, o senador José Serra, também delatado, acusado de receber R$ 23 milhões da Odebrecht em uma conta na Suíça. E outros como o deputado federal Bruno Araújo (PSDB-PE), que deu o voto decisivo para o impeachment, virou ministro e hoje é investigado com autorização do STF. No cenário político mineiro, não é diferente.

Entre os que querem derrubar o governo Pimentel, há nomes que constam da lista da Lava Jato. Se houve desvios de petistas, que sejam apurados e punidos com isenção. Mas a maioria relaciona-se a caixa dois de campanha, e não a enriquecimento ilícito com contas em paraísos fiscais. Não é preciso ser “profeta” para prever que poucos irão para o sacrifício, pois a meta não é a justiça, nem o fim da corrupção, mas “varrer” Lula do páreo nas próximas eleições. Quanto às elites… bem, têm também seus “bons bandidos”, seus corruptos de estimação, que deverão merecer a “salvação”.

Deixemos de hipocrisia! Somente uma real reforma política poderá acabar com a corrupção. Haverá quem se arrependa no momento final? 
Fonte: O TEMPO

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