quinta-feira, 6 de outubro de 2016

LIBERDADE DE EXPRESSÃO, REDES SOCIAIS E PERSEGUIÇÃO POLÍTICA

Começa tudo de novo. Ano de eleição, disputas político-partidárias, alianças e rompimentos... Tempo em que os órgãos públicos aceleram seu ritmo habitual, cujo frenesi está muito mais preocupado com a eleição ou reeleição do Gestor, do que com a prestação do serviço público propriamente dito; concentra-se muito mais nos servidores, do que nos cidadãos... O clima fica pesado, porque paira um sentimento de desconfiança de tudo e de todos, à procura de identificar os "amigos" e os "inimigos". É preciso alerta constante, porque o espião está aonde menos se espera. Cuidado, as paredes têm ouvidos!

Qualquer estratégia é válida para não se prejudicar:
1. Aproxime-se mais do chefe, aparentando fidelidade e comprometimento incomuns, porque ele está querendo descontar suas pressões em alguém;
2. Não faça críticas ao serviço neste período (mesmo que construtivas), porque elas serão mal interpretadas contra você;
3. Finja-se de idiota, porque independência intelectual e espírito público causam pavor e serão duramente reprimidos;
4. Distancie-se das pessoas que são taxadas como adversários, por mais que sejam seus amigos de longas datas, porque “amigo de inimigo, inimigo é”; e
5. Nunca, nunca traje vestimentas com as cores da oposição, porque eles são esquizofrênicos!

Estas são as recomendações tradicionais, válidas para ontem, hoje e sempre. Mas os novos tempos, reclamam novas habilidades. Isto porque as redes sociais representam hoje o nosso principal canal de expressão individual, e os olheiros sabem disso... Vi servidor ser exonerado por causa de suas publicações e curtidas no Facebook... Até a página dos seus amigos virtuais são monitoradas, pode acreditar. E qual a saída para os que querem se manter longe de tudo isso? Lamento, mas não tenho soluções para você... Terás que participar dos insuportáveis e demagógicos comícios, afinal, é o leite dos meninos que está em jogo, certo?

Mais uma vez, devo fazer distinção entre os servidores chamados efetivos (nomeados por concurso) e os prestadores de serviço (contratados pelo gosto, interesse e necessidade da administração). Aqueles gozam de certa independência e, por mais que sejam perseguidos, dificilmente perderão o emprego. Já os outros não têm a mesma sorte: estes são controlados mesmo, e precisarão de uma virtuosa habilidade social para escaparem fedendo...

Ao contrário do que diz a lei e estudamos na faculdade, os prestadores de serviço - “contratados por excepcional interesse público, nos termos do artigo 37, inciso IX, da Constituição Federal” - não são servidores públicos (pelo menos em ano eleitoral). Sevem em última análise à gestão, por uma promíscua relação política, prejudicial ao interesse público e ao espírito de cidadania. Dizem que vêm exonerações por aí... E ainda há quem veja muita justiça nisso, confundindo tragicamente casa civil com comitê de partido...


Luciano silva
Empreendedor e servidor público por precisão, professor por formação e educador por paixão. É licenciado em História e geografia pela Universidade Estadual Vale do Acarau-UVA, especialista em Ciências da Educação e Gestão Escolar, pela Faculdade Evolução. Mantém o blog Atualidade em Debate... Contato: 
luciano.diretor@hotmail.com

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